Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame) - Crítica [SEM SPOILERS]



Vingadores: Ultimato é um carta de amor dos Irmãos Russo, Kevin Feige e cia. para os fãs. É tanta coisa que eu nem sei por onde começar na realidade. Pensei seriamente em assistir o filme umas 2 ou 3 vezes antes de escrever isso. Mas eu estou tão impactado que eu não posso esperar mais pra escrever tudo o que senti em umas das 3h mais rápidas e intensas da minha vida. Se Guerra Infinita se mostrou um Épico Gigantesco, uma versão do Império Contra-Ataca em menor escala, que transcende todo um universo bem construído à base de bons e maus filmes, Ultimato leva essa interação em um patamar extraordinário. O Texto é longo, mas é tudo o que eu precisava dizer sobre esse final.

Eu realmente me senti maratonando todos os 21 filmes anteriores, do incrível Homem de Ferro de 2008 até o (argh) Capitã Marvel de 2019. Essa relação, brincando com os filmes anteriores, homenageando e referenciando aqueceu muito o coração dos fãs desse Universo. É importante ressaltar essa frase: Fã desse Universo, porque Vingadores Ultimato é um filme para esse cara que já maratonou diversas vezes, capta referências, conversa com seus amigos, compra a camisa na loja mais próxima. Não tem jeito, se você vai ao cinema assistir só pra cumprir o "protocolo social", ter assunto pra conversar, apenas para falar mal, ver com a namorada somente ou "apenas pra se divertir", não é o filme para você.



Sabe o porquê? Esse com certeza é o menos palatável filme com o nome VINGADORES que você pode ter. No meu círculo social, veio algumas pessoas que mesmo gostam dos filmes da Marvel, não curtiram muito Endgame pelo motivo da história ser "confusa" ou densa. E realmente o filme precisa de uma imersão gigantesca, você precisa saber o que está acontecendo, o que está em jogo, o plano de solução e todas as camadas dos personagens. Eu não vejo uma pessoa realmente compreendendo esse filme sem ter visto no mínimo uns 7 filmes.

Muitos dos críticos alegam que o MCU está repleto de filmes formulaicos e "fast-food", aqueles que em 2 dias você esquece completamente. E eles estão certos em boa parte dessa afirmação. Mas você pode chamar Ultimato de qualquer adjetivo depreciativo que estiver no dicionário: mas esquecível não é um deles. Muito pelo contrário, como eu afirmei no primeiro parágrafo: é um filme para se rever diversas vezes, comprar home-video, comprar a camisa e tudo o que tem direito.

Para fazer uma mega-aventura envolvendo o Thanos e as Jóias do Infinito se mostrava necessário uma direção competente, que entendesse do que estava fazendo e eu não canso de falar o quanto eu sou fã dos Irmãos Russo. O ritmo do filme é perfeito, eles exploraram cada camada que todo o universo do marvel se propôs a fazer, e com maestria. Com certeza não deve agradar ao público geral no que tange o primeiro ato do filme. Se em Guerra Infinita começamos na pancadaria do Thanos com o  Hulk, depois a batalha em Nova York com os 2 Sherlocks (rs).

Nós temos um primeiro ato de drama puro, não vai achar um tom mais dramático em nenhum filme do MCU. Infelizmente eu não posso adentrar na área dos spoilers, mas principalmente na primeira hora inicial, é fúnebre: temos a consequência dos atos e fracassos pessoais de cada um. E obviamente buscando soluções.  Pra quem está acostumado, ou só  viu os 3 filmes dos Vingadores, vai soar estranho porque é sempre cena de ação atrás de cena de ação nos 3 atos de cada. Agora temos dramas particulares, releitura dos grandes filmes passados e exploração dos personagens sobreviventes do estalo de Thanos. Essa abordagem humana do roteiro de cada um já era algo esperado e foi como minhas expectativas queriam, mas foi de coragem não suprimirem minutos disso em função de colocar mais tempo de pancadaria na tela. Que bom que foi do jeito que realizaram.


O Segundo ato é o que realmente chamamos de Coragem. É lá onde podemos encontrar furos e inconsistências de roteiro. Foi lá que certa parte do público se perdeu e com certeza e até percebi alguma galera saindo no meio da sessão. Foi certamente uma das jogadas mais arriscadas que eu já vi em blockbusters. Ali o roteiro, assim como Infinity War, se envolve totalmente com a ficção científica e fantasia. Foi ali que teve momentos que estava tremendo relembrando de momentos marcantes do Universo, de outros do gênero, clássicos distintos e até outros filmes que eu não gosto.

Isso é surreal cara, quando você vai ver um filme que presta uma homenagem à tanta coisa sem ficar auto-referencial demais? Sim, todos os easter-eggs, referências não influem em nada na construção da sua própria história, muito pelo contrário, eles ajudam a contar a épica saga que estão prestes a findar. Porque é o seguinte: Nada disso existiria sem os filmes das ultimas 3 décadas para criar a base do ápice dos blockbusters. Sim, eu digo que a gente está vivendo o auge dos filmes-pipoca, não tem como cara. Nos últimos  19 anos quanta obra não lotaram os cinemas e se tornaram clássicos? Ficção Científica, Fantasia, Aventura e Ação eram filmes de entretenimento de segunda categoria com raras exceções. Hoje muito pelo contrário e o MCU é a prova que os gêneros evoluíram, mesmo com seus inúmeros defeitos que a gente ta cansado de dizer.

Quem não gosta desses gêneros de filmes eu só consigo sentir pena. E o segundo ato do Ultimato conseguiu ser um marco nesses 4 gêneros. Com certeza não é o melhor deles, nem chega ser o melhor filme do universo criado, mas que marcou... Sem dúvidas.



O terceiro ato foi uma das coisas mais lindas que já vi na minha vida. Os efeitos visuais realistas e fantasiosos ao mesmo tempo, fotografia com aquelas cores que nos remetem ao fim do mundo, a ação coordenada com maestria pelos Irmãos Russo me arrepiaram. Que direção perfeita. Falta palavras pra dizerem o quanto acertaram a mão naqueles minutos que foi o clímax. Os personagens envolvidos, as surpresas e frases de efeito. Lembra o clímax do Retorno do Rei? Então foi aquilo que imediatamente me lembrou. Nada é mais pipoca, impressionante, clichê e maravilhoso que esse final. Certamente é uma dos meus conjuntos de cenas preferidos do MCU.

Será que foi assim que os nerds dos anos 80 se sentiram com o Retorno do Jedi?

O Filme tem Defeitos?


Gente, estamos falando de um filme que com certeza haverão furos de roteiro descobertos nos próximos dias/semanas. Também estamos falando de um blockbuster da Marvel e com certeza há deficiências. Eu apontaria sem spoiler na desconstrução de 2 personagens, um deles foi um erro total e outro foi mais ou menos: eu gostei da jornada, mas a forma foi um tanto exagerada. Há aquelas coincidências forçadas que são o padrão de filmes de fantasia com ficção científica, Guerra Infinita teve várias assim, Ultimato não seria diferente.  De resto, é amplamente pessoal a recepção da jornada de cada um.

Conclusão


Em uma análise fria, Vingadores: Ultimato está longe de ser um filme perfeito. Longe mesmo. Mas estamos diante de uma filme totalmente diferenciado de todos os grandes filmes de alto orçamento. Algo que muita gente não conseguia imaginar que veria isso nas telonas. Esse filme é tudo fãs de HQs e Fantasia sonharam em assistir.

Principalmente: fecha com chave de ouro uma épica saga que nunca vai ser esquecida. 

E cara, eu chorei no final, e até depois que o filme acabou. (talvez agora?)

Adeus MCU. Não sei o que vem depois pra ser sincero. Não tenho ideia de como vai ser o reboot, ou os próximos filmes mas... Encerramos bem por aqui a Saga do Infinito, num episódio de 3h que passam voando num clímax majestoso, encerrando o mito dos Super-Heróis da Marvel.

Valeu a pena.



Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame) - Crítica [SEM SPOILERS] Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame) - Crítica [SEM SPOILERS] Reviewed by Adão Filho on abril 26, 2019 Rating: 5

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