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Começou o Rock in Rio 2019, a oitava edição do evento, agora com algumas apostas como o Drake, artistas já “amigos do festival” e o retorno do tão pedido “Dia do Metal”, onde a plateia de camisa preta celebra bandas de Heavy Metal e afins.

Eu digo “apostas como o Drake” é que mesmo ele sendo o artista mais popular do mundo, todo esse empreendimento pareceu uma aposta, que pode ter sido cara demais para Medina e seus amigos (os organizadores do festival).

Desde 2011, o festival sempre conta com o primeiro dia absolutamente dedicado ao Pop. Em 2011 veio Rihanna e Katy Perry (no auge do gênero), 2013 veio a Beyonce, 2017 infelizmente a Lady Gaga acabou se contundindo e cancelando o show.

Pensando pela diversidade de gêneros e num fator mais empresarial, o Dia do Pop é uma ótima pedida, até porque atrai muito público, ou atraía.

A grande questão é que o Gênero Pop Americano tem estado em uma das suas fases mais mornas de sua história. Ainda em alta, se percebe que a industria fonográfica já não consegue mais produzir grandes estrelas como antigamente.

Em toda década nós tínhamos grandes Divas Pop atraindo multidões e quebrando recordes atrás de recordes. Da Madonna até a Lady Gaga o gênero parecia que nunca iria acabar.  Até que chegamos no ano de 2019 e olhando para trás, dava para enxergar que o Pop norte-americano estava gradativamente diminuindo.

Explico: Lembra de 2009/10 quando Lady Gaga lançou seus primeiros discos e explodiu nas rádios/internet e naquele tempo vinha Katy Perry, Rihanna e mais? Então, no meio deste Boom das novas Divas estavam surgindo os Rappers da nova geração. 

Infiltrados em músicas das artistas como Katy Perry, J-LO, Rihanna e outras, Rappers consagrados estavam aumentando seus hits, aumentando seu público e assim dando espaço para toda uma nova geração já dita.

Os anos se passaram, e de 2015 para cá o panorama é claro: O rap norte-americano (Canadá e Estados Unidos) simplesmente engoliu o Pop americano. Enquanto algumas divas lançam poucas músicas por ano, e alguns cantores estão praticamente aposentados (Justin Bieber), vemos o Rap e o R&B dominando: Drake, Cardi B, The Weeknd, Kendrick Lamar, Travis Scott J. Cole, Post Malone, e tantos e tantos que surgem toda hora e explodem nos serviços como o Spotify.

E onde o Rock in Rio está nessa história?

Com o seu dia do Pop já tradicional, percebe-se uma diminuição inacreditável do impacto desse dia em especial. As atrações de 2019 foram muito fracas, assim como em 2017 também foi. Acredito que até a organização já notou isso. No anúncio das Line-Ups do Rock in Rio desse ano, já estava quase programado um “Rap in Rio” com Cardi B e Drake finalizando.

Infelizmente a Cardi B acabou cancelando sua participação, restando apenas o Drake carregar o dia do pop nas costas e vender ingresso somente com a participação (que foi questionada em vários momentos no ano diga-se).

E tudo aconteceu da (quase) pior maneira possível. Diferente do Jay-Z em 2011, que cancelou 2 semanas antes, Drake esteve presente no Palco Mundo no dia 27 de Setembro de 2019, mas vetou qualquer transmissão de show. Ele se mostrou um verdadeiro cuzão, barrando até fotógrafo e a estadia aqui foi alvo de críticas.

Eu sou um fã do cara, mas não tem como defender as atitudes do mesmo nesse fim de semana de Rock in Rio. E assim como o Eminem e o Kendrick Lamar no Lollapalooza, também vetou a transmissão do Show. A Diferença é que estamos falando de Rock in Rio, um evento MUITO MAIOR e não dava para ter feito isso. Simplesmente não dava.

A desculpa? o tempo imprevisível. Bem esfarrapada por sinal, e o que está feito, está feito.

Agora com o precedente do Eminem e Kendrick, o grande episódio do veto do Drake da transmissão do Show, obviamente que deixa a organização do Rock in Rio e a Globo de mãos atadas e devem seguir apostando em artistas pop de gênero que já não têm o mesmo alcance de outrora.

Drake, querendo ou não, foi a maior atração do evento. Tinha tudo para ser o show televisionado que mudaria o patamar do evento e faria um Dia do Rap, trazendo consagrados e novas caras. Acho que esse episódio dificultou muito esse futuro utópico. Com Rappers estrelistas é mais fácil apostar em artistas menos imprevisíveis.

O Dia do Metal: O Rock in Rio sentiu na pele a falta

Nós temos que ser francos: A edição de 2017 do Rock in Rio foi muito ruim.

Sem dia do Metal não dá, não porque simplesmente eu gosto de metal, mas quando tem esse dia, a produção se esforça em trazer mais em trazer mais atrações animadas e bandas de Rocks consagradas que aguentam 1:30, 2h de show, só olhar a Line Up de 2015 com Queen, System e outras.

Em 2017 teve um fim de semana com Aerosmith, Guns e Bon Jovi como headliners em cada dia, e os dinossauros não aguentavam 4 musicas. Se fosse nas edições de 19, 15, 13 ou 11 eles tocariam no mesmo dia ou no máximo 2. E sem contar que teve Maroon 5 2 dias seguidos, um exagero de Pop que poderia ter sido comprimido.

Bon Jovi é headliner desde 2013 e já percebe-se que ele não aguenta mais ficar 2h cantando. Mas a sua banda é muito boa e ainda tem uma resistência. Já o Guns… eu fiquei triste vendo uma das bandas da minha infância num show patético e longo.

Esse ano, como já tem um Dia do Metal, já colocaram o Aerosmith para terminar no palco sunset, e achei uma boa: o Coverdale (vocalista) mesmo com alguns pequenos problemas conseguiu manter um bom show. Em 2017 provavelmente eles seriam headliners e o vocalista David Coverdale já estaria acabado no fim do show.

Esse ano ficou bem equilibrado até, o segundo dia foi maravilhoso com o show do Tenacious D, Raimundos com CPM e Foo Fighters no Palco Mundo. Obra, é claro do dia do Metal, que trouxe mais bandas para o evento, algo que não teve em 2017, mas em todas as anteriores tivemos.

Não custa nada ao Rock in Rio dedicar um pouco mais ao Rock, mantendo é claro as atrações mais diferentes. E é uma pena o ocorrido no show do Drake, poderíamos ter levado o “Dia do Pop” em um patamar maior ainda.

Eu ainda torço para que isso aconteça, na verdade

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