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Joe Bonamassa é um dos melhores, ou quem sabe, o melhor guitarrista de blues do século.

Mesmo tendo 44 anos e muita carreira pela frente, ele já é comparado aos grandes nomes da história desse gênero, assim como Gary Moore, Eric Clapton, BB King e muitos outros gênios do Blues.

Bonamassa é um prodígio na guitarra e seus trabalhos começaram no ano 2000, com o excelente “A New Yesterday”. E desde então foram 15 discos de estúdio, vários álbuns ao vivo e colaborações com outros artistas.

Não é nenhum exagero que ele já é um dos grandes nomes do Rock de sua geração, e para um gênero que vem em decadência de oferta, onde no mercado somente quem tem mais hype são mesmas bandas dos anos 80 e 90, um oxigenado guitarrista buscando celebrar o passado e produzir coisas novas é um oásis em meio à mesmice.

O seu último trabalho foi o excelente Royal Tea, do ano passado. Foi uma celebração à suas raízes britânicas e um blues rock de altíssimo nível, lembrando clássicos dos anos 50, mas sem se mostrar datado.

Não parecer datado é o maior trunfo deste guitarrista, porque você escuta cada faixa pensando “nossa, isso lembra uma música dos anos 70” mas com aquele algo a mais que te prende e faz repetir diversas vezes no celular.

A mais nova obra de Joe Bonamassa – Time Clocks

Bonamassa entrega uma belíssima obra no seu 16º disco de estúdio, chega até ser pleonasmo falar que “é um dos melhores álbuns da carreira” porque sempre são.

Já são 21 anos do cara no auge. Então é mais do que natural que o trabalho ser excelente, mas por incrível que pareça inicialmente estava desanimado.

Acontece que no single da faixa título do álbum: – Time Clocks, que é fraquíssima, apesar de um riff inicialmente que pega. Mas é algo que não progride muito. E curiosamente foi a música mais fraca de todo o disco, ela é facilmente “pulável” entre as 10 faixas.

Entretanto, para a minha surpresa, os outros singles eram excelentes, mas acabei escutando o resto no álbum mesmo. E posso afirmar sem dúvida que é um dos melhores álbuns do ano, com muita facilidade.

Estamos diante de um músico que realmente sabe o que está fazendo e o gênero que está tocando. Isso se mostra perfeitamente nas faixas Notches, Questions and Answers e Curtain Call, onde o experimentalismo toma de conta.

Bonamassa é um artista de excessos, sempre foi, é bom lembrar que em 2009 em uma faixa ele fez questão em colocar trechos com correntes sendo movimentadas. Uso de instrumentos diferentes sempre foi a marca.

Além é claro de brincar com gêneros: minutos e minutos de excelentes solos de guitarra, lembrando Led Zeppelen como em Curtain Call, aquele country baladinho em Time Clocks etc. Ou seja: há o experimentalismo na medida certa, sem viajar demais na maionese e utilizar os seus excessos jogando a favor.

Melhor que o Royal Tea?

Em comparação ao seu último trabalho, percebo que esse trabalho é mais orgânico, eu diria.

Esse álbum tem mais músicas prazerosas de se ouvir, com o álbum fazendo o tempo passar rápido. A voz excelente e as letras extremamente bem escritas do Bonamassa permanecem os mesmos de sempre, mas agora há claramente um filtro nas músicas.

Riffs que grudam na mente, solos que não abusamos de ouvir, Time Clocks é repleto disso. Entretanto, apesar do carro chefe do album: The Heart that Never Waits ser uma bela faixa, não há aquela música que será lembrada por anos.

No Royal Tea tivemos Why Does it Take So Long to Say Goodbye, faixa que lembra bastante a espetacular Stop! do álbum de 2009, e certamente será uma das faixas que será o legado do guitarrista. Neste trabalho, apesar de grandes músicas, nenhuma desse nível.

Uma filosofia que eu tenho é que todo grande álbum tem aquela “killer track” a faixa que simbolizará o projeto por anos. Entre as killer tracks do Bonamassa, acho que “The Heart that Never Waits” fica um pouco atrás.

O encerramento do álbum é o Joe que sempre conhecemos: solos melódicos, talento no vocal e aquele talento extraordinário que nos faz querer mais músicas.

Conclusão

Dentre os álbuns do Joe Bonamassa, esse sem dúvida será um dos que envelhecerá melhor.

Estamos falando de um fenômeno na história do Blues e do Rock como um todo. Já são 20 anos, mais de 15 álbuns, colaborações, singles e outros trabalhos na base da excelência.

Pensando nas bandas gerais de Rock, sempre falam daquela geração ou dos anos em baixo nível, discos que são fracos, divisor de águas em relação aos fãs. Mas com esse artista aqui isso não existe, e como falei anteriormente: falar que é um dos melhores da carreira virou pleonasmo.

Excelente disco.

Escute o Time Clocks – Joe Bonamassa no Spotify

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