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A nossa crítica de The Batman provavelmente será lançada em um futuro onde o hype do filme não seja tão grandioso quanto sua semana de estreia.

Contudo, eu acho que foi uma boa escolha minha lançar em um momento não tão emocionado do público ou da crítica, para a gente analisar ponto a ponto do filme, explorando os principais detalhes com a cabeça mais fria.

Até porque, há muitas comparações com os filmes do seu nicho, filmes antigos do Batman e outras histórias de suspense. Essas comparações devem sim ser feitas, até para melhor assimilação do público, mas sem deixarmos de analisar o próprio filme.

Por isso, vou dividir esta crítica em três partes:

  • Primeiro Ato – A Gotham de Matt Reeves
  • Segundo Ato – A Trama
  • Terceiro Ato – O Heroísmo

Primeiro Ato – A Gotham de Matt Reeves

the batman 2

Para quem não conhece, o Matt Reeves foi o responsável pela finalização da trilogia Planeta dos Macacos, dirigindo o segundo e terceiro filmes.

Foi uma trilogia sensacional, uma das melhores do século XXI em se tratando de ficção científica, fantasia e ação. O segundo filme mostrou que ele era capaz plenamente de tomar conta de uma grande franquia, e imagino que tenha sido esta obra que fez a Warner apostar na próxima adaptação de The Batman nele.

Todas notícias, fotos e shots iniciais do filme, que foram sendo divulgadas ao longo dos últimos anos, parecia que teríamos uma história do Batman nos anos 90.

Era tudo sobre um Batman no início de carreira com um design noventista.

Repentinamente você vê uma TV com uma tela grande, um smartphone e você já estranha “espera um pouco, isso é na atualidade”, por isso que inicialmente fiquei meio perdido no primeiro ato do filme.

Temos uma Gotham extremamente “oldschool”, que lembra muito o filme do Tim Burton na década de 80, mas, contudo, na verdade ela se passa na atualidade.

É um visual muito antigo e até desconcertante. As vezes eu me sinto um pouco saturado de Gotham no sentido “tá bom, é uma cidade nas sombras, onde o crime e a corrupção reinam, já entendi”.

Só que agora, pensando melhor na apresentação da cidade, esse visual desconfortável é muito bem pensado, deixando o espectador com certa pulga atrás da orelha e compreendendo plenamente a sensação de que “essa cidade nunca vai mudar”, e todo o visual apresentado dá essa perspectiva.

Depois de 2 horas de filme, você pensa: “nossa, isso jamais vai mudar, pode o próprio Batman lutar 100 anos e jamais irá mudar, sempre vai aparecer outro vilão”.

E pensando por esse lado, Matt Reeves conseguiu, depois de várias adaptações nos últimos 30 anos, ainda sim conseguimos ser emergidos em uma Gotham City com características semelhantes às anteriores.

Até mesmo alguns acessórios do Batman parecia algo meio “high tech retrô”, como acessórios que filmes antigos imaginariam que teríamos no futuro. Então somos apresentados à uma Gotham e um Batman que respiram anos 90, mas nos anos 2020. É como se víssemos uma cidade parada no tempo.

Isso eu gostei muito na Gotham do Matt Reeves.

Segundo Ato – A Trama

A trama é qualquer nota de fantástica.

Ela é tudo o que os fãs mais tradicionalistas do Batman pediram da vida: investigação, charadas, puzzles, tramas um pouco confusas, nomes, pistas. Maravilha, tudo bonito , tudo bacana.

Você acompanha de pista em pista. Gostei muito dessa ideia. Nós temos um charada que faz o filme emular uma obra-prima do suspense: Seven – Os Sete Crimes Capitais do David Fincher, que é meu diretor favorito (ou um deles).

Toda essa comparação é muito bem feita, só que infelizmente o Matt Reeves não é o David Fincher, que é um mestre no gênero dele, portanto dá para perceber que não temos o domínio completo das tramas de suspense e investigação.

Há um esforço descomunal em conseguir mesclar esse gênero, e na maior parte funciona perfeitamente, só que as vezes parece que a trama está enrolando um pouco mais do que o normal. O que é algo que descontei um pouco na nota final.

Apesar de termos um vilão bem desenvolvido, com excelente atuação do Paul Dano, não há muito para falar porque quem brilha é o próprio Batman: Não é o Bruce Wayne e nem outro coadjuvante, o cavaleiro das trevas de Gotham é quem protagoniza.

Vemos a inteligência do maior detetive do mundo à prova. A partir dessa premissa, tudo funciona: a ótima química do Pattinson com a Zoe Kravitz (Mulher-Gato), os ótimos atores que representaram os “vilões”: Pinguim, Charada e Falcone.

A direção de elenco é muito boa, talvez tenhamos o filme de super-herói mais bem atuado que já vi, ao lado, claro, de Joker. Mas era até esperado, dado ao elenco estelar, e com um excelente diretor no comando, normal termos algo muito bem entregue.

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Terceiro Ato – O Heroísmo

O que eu não gostei de verdade fica na parte da ação. Dá para sentir que o Matt Reeves, assim como o Christopher Nolan em 2005 e 2008 , fez de tudo, tudo o possível em deixar as cenas mais empolgantes.

O Nolan consegue com grandes shots, cortes, perseguições, mesmo com uma limitação nas cenas de luta. É quase óbvio que é meio feio ver o Batman lutar na trilogia do Cavaleiro das Trevas, mas você não liga porque tem uma cena de ação mais incrível que a outra.

Em Batman v Superman é muita computação gráfica, tudo muito robotizado e sem muita coisa pra empolgar além do embate dos três protagonistas do filme contra o antagonista.

Neste aqui temos uma situação semelhante. É nítido aquelas “firulas técnicas”, exemplo: uma cena no escuro, as balas servem para iluminar a tela e tem uns cortes de pancadaria. Mas no terceiro ato as cenas de ação já não tinham o mesmo impacto das iniciais/meio do filme.

A final do filme não me encheu os olhos, e não faltou faltou aquela cena grandiosa de encerramento que o filme pretendia.

O filme tem um climax e mais história de terceiro ato por 10 minutos, com mais uma cena de ação heróica, acaba ficando “too much”, e pelo excesso acaba ficando sem muito peso. Parecia que o Reeves se empolgou e implantou 3 cenas de climax para dar uma recompensa maior ao seu público.

Talvez tenha sido demais.

Conclusão

The Batman é um filme longo que não cansa por 90% do filme.

Eu sou extremamente benevolente com filmes que conseguem me entreter por mais de 2:30h sem me cansar, ver as horas passarem. Tem que ser MUITO bom de montagem, de roteiro e de direção para fazer isso.

Só que, mesmo tendo adorado a trama, me envolvido fácil com tudo o que tem dentro de The Batman, sinto que faltou algum peso a mais durante o progresso do segundo ato e que o final foi excessivo demais.

Se o corte final fosse 10 minutos a menos, aparando algumas gorduras, teríamos um talvez filme nota 10, mas não foi dessa vez. Entretanto, vemos um futuro muito promissor para uma trilogia do Homem morcego.

Filmaço.

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