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Neon Genesis Evangelion entrou para o catálogo da Netflix, mas o burburinho começou muito antes da estreia. Tudo porque Evangelion é uma clássica obra das animações orientais, que não conseguiu uma popularidade no Brasil do tamanho de um Cavaleiros do Zodíaco, Naruto ou Dragon Ball, portanto o anime se tornou Cult em certa parte.

Em certa parte, eu digo porque muita gente já ouviu falar de Evangelion e na internet há sim muitos fãs, mas a grande massa não teve acesso, já que o anime fora exibido no Animax, que era um canal de TV Fechada. Não passou numa Globo, Band, Manchete da vida.

Por isso que muita gente torceu o nariz quando souberam do anúncio da entrada do Anime de Robôs Gigantes. Lia-se comentários do tipo: “agora vão achar que o anime é cópia de Círculo de Fogo” e que iria surgir uma penca de conteúdos de youtube caça-clique para sugar o novo público que surgiria devido a uma possível massificação do Anime.

Recomendo esse texto do Mais de Oito Mil que retrata um pouco da fanbase dos animes na internet brasileira, já que essa não é bem a minha especialidade rs. Pessoalmente eu nunca vi Neon Genesis Evangelion, mas sempre esteve na minha lista, tenho um ou outro mangá, mas nunca fui longe. Graças à dona Netflix, supriu minha preguiça para assistir o Anime de maneira ilegal e assim pude finalmente prestigiar.

Mas e aí, é bom?

E confesso que me surpreendi, pois o anime é excelente. Conseguiu me fazer passar um fim de semana que eu deveria estar estudando em um que vi 20 episódios da série. Isso quase me custou uma matéria da universidade, quase. Ao contrário do que se diz, eu não fiquei de cara encantado previamente com as batalhas de mechas, mas sim com o clima de “tem alguma coisa errado” presente em obras complexas.

O roteiro nos entrega uma premissa simples: Monstros Gigantes contra Robôs Gigantes para logo após desgraçar a nossa cabeça com uma história densa e complexa que não pode ser suprida apenas com um anime, um erro que discutiremos mais adiante.

A progressão do roteiro de “shounen padrão” até um final digno de David Lynch é muito boa, não achei lenta ou enfadonha, desde o início a história tem a sequência de acontecimentos estabelecidos na velocidade própria desde o início.

Não é que começa lento e acelera, pelo menos não percebi assim, desde os primeiros episódios o ritmo tem um padrão, só nos adicionando elementos novos na história.

Além do ritmo ser muito gostoso de acompanhar, por não ser arrastado e nem apressado, nos ambientando melhor ao universo. A qualidade da animação é absurda, principalmente quando nos lembramos que é uma obra de 95.

Há diversas cenas que eles destacam algumas cores como a do crepúsculo ou de salas escuras com tons de vermelho, azul ou roxo as vezes. Lembra muito uma pintura ou uma HQ de extrema qualidade.

Não é um simples show off da produção de querer nos mostrar que são fodões nas animações, mas também ajudar a contar a história por meio dessas cenas extremamente bem animadas. É algo também para deixar a história mais introspectiva, por exemplo: há uma cena que é replicada depois que nos mostra o pôr do sol, e é quase uma pintura perfeita por sinal. Nesse momento acontece um diálogo importante para um dos personagens, e para dar ênfase à cena temos todo o aspecto visual.

Uma Lição para os Shounens

Uma característica importantíssima de Neon Genesis Evangelion, que apesar de se tratar teoricamente de um Shonen, ou seja: animes para jovens, com pancadaria, aventura… Coisas que crianças de 12 anos amam, esse anime não tem um dos adjetivos mais insuportáveis dos animes: o didatismo excessivo.

Nessas minhas ultimas férias (saudades, chega logo férias), eu tava revendo o Naruto clássico na Netflix e eu custei a terminar com a sanidade mental em bom estado tamanho exagero de diálogos repetitivos.

Eu entendo perfeitamente que o meu anime preferido é um dos antros do diálogo expositivo e de personagens surdos que precisam repetir o que falam, mas puta que pariu como rever Naruto foi inquietante.

Os personagens repetiam os mesmos diálogos didáticos toda hora “tá vendo aquilo? ele fez isso, isso e aquilo” 5 minutos depois a mesma coisa “ele fez isso isso e aquilo”, esse didatismo excessivo me afastou dos shounens, talvez porque eu tenha crescido e não percebia esses problemas anteriormente.

Evangelion é o oposto dos shounens mais tradicionais. Os personagens não falam  necessariamente a verdade pra ficar explicando o que acontece na trama todo maldito momento, eles simplesmente falam o que pensam e daí surgem informações equivocadas que os personagens acham que são reais, confundindo o público e causando uma certa estranheza. Faz parte da complexidade da trama e até torna mais “realista” sob um certo ponto de vista.

Toda a caracterização dos personagens e as jornadas dos mesmos me conquistaram muito. A cada diálogo, decisão e evolução de cada eu percebia que estava mais envolvido. De início, não estava curtindo muito porque o protagonista solitário/tímido e introspectivo já era meio batido, mas depois de 10, 20 episódios já se notava evoluções significativas, principalmente da parte do Shinji com o resto das 3 personagens principais, era uma relação bastante palpável.

Eu realmente ficava irritado a cada vez que a Asuka falava, uma construção de personagem marrenta e irritante infinitamente melhor que um filme de uma certa heroína aí.

O Meu único problema com Neon Genesis Evangelion é que a série não se fecha sozinha em si. É necessário você assistir ao filme The End of Evangelion (também disponível na Netflix) e praticamente estudar o anime, buscar fontes e vasculhar a internet em busca de informações para compreender minimamente o que realmente se passa na história. Vendo o final (leia-se: os 2 ultimos episódios) você tem uma ideia do que se passa, mas, sem dar spoiler, se torna abstrata demais. Dizem que o motivo foi um corte de orçamento que a série teve no passado quando foi exibida, por isso ficou “estranha”.

 Conclusão

Neon Genesis Evangelion é um anime brilhante. Simplesmente desconstrói a ideia de shounens serem apenas para crianças, isso em 1995. Há quem diga que não se enquadraria nesta categoria, mas cada um cada um. A questão é que nunca o mundo tinha visto uma obra de Mecha (robôs gigantes) tão complexo, denso e perturbador como esta. O anime me conquistou muito com a falta de diálogos hiper-expositivos e ao contrário do que eu imaginava, merece todo o hype que a internet deu ao longo dos anos. Ritmo perfeito, personagens interessantes, roteiro excelente… É, eu tou bem arrependido de não ter visto antes, obrigado Dona Netflix. Fica a recomendação.

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