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21 anos atrás, o Metallica lançava o primeiro álbum orquestrado de sua discografia, unindo clássicos e novo material com a sinfonia de San Francisco, regida pelo finado Maestro Michael Kamen, hoje temos em mãos o tão aguardado S&M2, uma nova parceria, mas bem diferente do antecessor.

O S&M original foi idealizado pelo regente Michael Kamen, que trabalhou em vários outros projetos no Cinema e com outras bandas como o Queen e o Pink Floyd. Com o Metallica, ele que fez os arranjos de violino em Nothing Else Matters.

Depois de muito insistir, a banda aceitou levar a parceria em um outro nível: Um album ao vivo, unindo as músicas tradicionais e recentes do Metallica com a orquestra, tudo sob a produção e mixagens de Bob Rock, produtor do Black Album, Load, Reload e Garage Inc.

Na crítica, o primeiro S&M foi ligeiramente bem recebido: Notas ⅗ no All Music, Rolling Stone. Nada de muito especial, mas talvez a crítica não tivesse contado com o  sucesso enorme entre os fãs. 

Milhões de views no youtube, um número considerável de streams no Spotify, fazem o S&M ser um grande trabalho do controverso Metallica dos anos 90. Você pode ler a minha crítica do show original Clicando Aqui  

E então houve a oportunidade de celebrar 20 anos dessa parceria improvável, que influenciou outras bandas a fazerem o mesmo (Scorpions por exemplo). 

O Golden State Warriors queria inaugurar sua nova Arena com um show, nada melhor do que ser com a principal banda de rock da sua cidade: o Metallica. 

Alerta Importante! Antes de você seguir na crítica:

A análise é do álbum ao vivo, em áudio, não da versão em DVD/Blu Ray do Metallica S&M2. Podemos no futuro até analisar o video, fotografia, edição e tudo mais. Só que o foco de agora é o áudio. 

A Complexidade de se Escrever sobre o S&M2

O Metallica é a banda da minha vida e o S&M Original foi o disco que mais ouvi na minha adolescência. É meu favorito disparado da banda inteira, isso mais do que qualquer grande disco de studio: Ride, Master of Puppets, Black Album, justice…

Então falar do Metallica não é tão simples para mim, é muita questão que transcende o que é considerado bom, ruim, ou seja, impossível falar de maneira imparcial e objetiva.

Por isso, é claro que meu julgamento relacionado à cada album do metallica vai passar totalmente para o meu conceito idealizado do quarteto. As minhas convicções e até sentimentos entram em jogo.

Aliás, o primeiro review deste site foi do Hardwired… to Self-Destruct, o ultimo disco de studio do quarteto. Clique aqui e você vai ler nosso primeiro post, quando o site era apenas um blog de desabafo.

Inicialmente, o S&M original tem uma carga inédita de união de Heavy Metal com Orquestra Sinfônica. Isso pode ser meio óbvio, mas é importante a palavra união. No original, a filarmônica regida por Michael Kamen conversava diretamente com o Metallica.

Os instrumentos regidos pelo saudoso maestro tomavam cara própria e complementam perfeitamente com alguns intervalos das músicas do metallica. Era como se as faixas fizessem parte de um grande filme, que a orquestrava tomava rumos ambiciosos. 

A edição e mixagem foi muito importante nesse ponto. A questão da conversa entre Metallica e Sinfonia foi milimetricamente medida na edição: o som das guitarras, o efeito de voz que cuidadosamente colocaram em James Hetfield, o set list e as músicas inéditas.  

A roupagem do S&M original é única e é isso que faz dá certo. Temos o James no auge da forma, na sua melhor performance da vida, o Lars e Kirk muito bem e claro, Jason Newsted no seu ultimo grande trabalho pelo Metallica.

E tudo isso faltou no S&M2

Eu diria que temos 2 grandes culpados para que o S&M2 não tenha saído satisfatório. O meu maior ídolo da música: James Alan Hetfield, e o produtor e engenheiro de som do Metallica: Greg Fidelman.

Pois é, o frontman da banda, que beira aos 60 anos, não consegue mais o vocal de outrora. É uma pena, porque a comparação do show original é inevitável. A performance do James no S&M2 é triste.

Não é triste no sentido de ele ter ido muito mal por falta de técnica. Mas é porque eu sinto que a idade já esteja chegando e que os milhões de problemas psicológicos dele já refletem no vocal.

Explicando: logo depois do S&M2 a banda parou, o james foi internado novamente numa clínica de reabilitação, por conta do vício da bebida. Em 2019 você percebia que ele estava muito gordo e com a cara bem inchada, totalmente diferente dos anos anteriores.

Nos shows do ano passado, alguns deles exibidos na íntegra nas Lives de Segunda, a voz do frontman estava péssima em alguns momentos, uma voz forçada, soando quase como se ele estivesse gripado. 

O show de Manchester mostrou muito bem como a situação do James não era a das melhores. Então veio o S&M, a banda ficou 2 semanas parada, treinando… mas o  resultado dos vocais não foi satisfatória.

As músicas que ficaram comprometidas no S&M2:

Em Outlaw Torn, James simplesmente esquece de cantar o refrão “I’m Outlaw Torn” em um momento, a orquestra fica tocando sozinha. Em um dos trechos mais emocionantes da música “You Make me Smash the Clock and feel” a voz sai com muitas dificuldades.

Enquanto isso, em No Leaf Clover, a voz do James falha de verdade no trecho “Then it comes to be yeah” no final da música. A palavra Then não sai. É chocante você ouvir isso, de verdade, nunca pensei que veria isso num disco ao vivo.

É claro que temos bons momentos do vocalista, ele ainda é um dos mais talentosos da história do Rock. Em Memory Remains o James brinca com os vocais de 97. The Day that never comes vemos uma dosagem da voz forçada com a melódica. 

Nas outras, eu diria que é uma voz OK, mas muito aquém ao show original e outros de 1999.

Uma banda bem tocada, mas mal editada.

Para quem nunca tocou guitarra na vida, o pedal é um equipamento que altera o som da guitarra num amplificador. O som mais “chiado” vem do overdrive, é um pedal muito comum entre os músicos de metal.

Eu toquei um pouquinho de guitarra na vida, muito pouco, mas eu não lembro que o overdrive soasse TÃO CHIADO quanto as guitarras do Metallica nos últimos 3 anos. 

Desde a contratação do produtor musical Greg Fidelman, engenheiro musical do Death Magnetic e produtor do Hardwired.. to Self-Destruct, para a edição e mixagens dos shows, nunca tivemos um som tão chiado e condensado do Metallica.

Podemos justificar que nos shows de turnê, serviria para dar uma ambientação do último álbum às músicas mais antigas. É verdade, na turnê do Black Album o som das guitarras era parecida com o próprio disco, no Load também, no  Death Magnetic…

Entretanto, eu já acho demais esse chiado excessivo das guitarras. E não tinha nenhuma necessidade de você forçar isso no S&M2, que é um projeto a parte da banda. 

Não só o chiado é irritante como o som do Snare do Lars, lógico que não é nada para se comparar as latas de nescau do St. Anger, mas ela sai condensada demais, em alguns momentos realmente não dá.

Entretanto, a apresentação em conjunto da Banda foi muito boa:

O Kirk está muito bem, o Lars não está errando como outrora, as músicas saem num tempo legal. O problema é essa mixagem e principalmente: a falta de diálogo entre a banda e a orquestra.

O produtor do show original, Bob Rock, fez o Metallica e a Sinfonia conversarem perfeitamente, um complementando o outro. Se no Load e no ReLoad, algumas músicas saiam com um ar de “falta alguma coisa”, esse espaço foi preenchido com uma orquestra dando ares progressivos.

No S&M2 a Orquestra Sinfônica de San Francisco é bem plano de fundo. Somente isso. A banda está em evidência enquanto os outros músicos ficam em baixa prioridade. Não achei uma escolha certa, o original víamos ambos em evidência e se complementando.

Agora é diferente, há o Metallica em primeiro plano: guitarras chiadas, um snare comprimido e um vocalista com dificuldades, já em segundo plano os arranjos da orquestra regido por Edwin Outwater.  

A sinfonia infelizmente foi atingida pela edição, mas eu queria dizer que há sim umas mudanças em alguns arranjos clássicos, como fizeram em Master of Puppets. Achei bem desnecessário isso. 

E o Set List do Metallica no S&M2?

Até que o set inicial do S&M2 é bom. Boas escolhas como For Whom the Bell Tolls e Day that Never Comes abrirem o show após The Call of Ktulu. No Leaf Clover e Halo on Fire foram boas para concluir.

Aliás, Halo On Fire e The Day That Never Comes realmente ficaram boas, estarão presentes nas minhas playlists futuras.

Mas vamos combinar que Confusion, uma das músicas mais genéricas e esquecíveis do Hardwired, estar presente num show tão importante é uma bizarrice sem tamanho. 

Outro problema além desse absurdo, talvez tenha sido as escolhas das músicas orquestrais na segunda parte do álbum. Soou meio desnecessário, mas foi bom ter um momento com a orquestra em realmente evidência. 

Unforgiven III e a Pulling Teeth ficaram bonitas no papel, mas não foram bem executadas. Principalmente Unforgiven III com o James cantando sozinho. Com esse vocal dele não dá.

Uma banda cover do Metallica, se inspirou no caso de Unforgiven III e experimentou cantar Turn The Page com a Orquestra. Ficou Lindo:

O resto do set list é a mesma tônica do início da crítica. Banda executando bem, um vocal muito aquém para o nível do James e uma mixagem que não foi boa. Um agravante foram ter mudado os arranjos originais do Michael Kamen em Master of Puppets…

Imperdoável.

E a recepção da mídia?

Eu não sei se a mídia que reagiu de maneira tão morna no primeiro S&M se sente arrependida do álbum ter virado um clássico, mas eu ter lido na mídia mainstream que “Metallica e Sinfonia elevam o nível de parceria” me doeu

É uma piada de mau gosto, o S&M2 sequer chega perto do original em todas as frentes: set list, desempenho individual, coletivo, produção, mixagem, etc.

Se o site de críticas ou mídia mainstream passou pano para o S&M2 e avaliou melhor que o original, tem algo muito errado.

Conclusão

O Metallica S&M2 não chega para substituir o original, sequer chega perto dele: não há músicas novas, mas há arranjos de álbuns mais recentes. Algumas escolhas bem ruins de músicas novas: All Within in My Hands e Confusion.

Mas há alguns pontos positivos, como as versões de Halo on Fire e The Day That Never Comes. Também a energia do evento é boa, você sente que das bandas mais antigas, o Metallica é a que mais consegue imprimir uma energia de outrora.

Por isso a banda continua relevante, continuará sendo a banda de rock (no geral) com maior apego comercial e midiático do cenário. 

Eu só sinto que o timing do S&M2 não foi o melhor considerando a fase dos membros da banda, talvez em 2012 tivesse sido o ideal, mas infelizmente eles estavam focado nas gravações do Through the Never. 

Enfim, considerando os álbuns ao vivo do Metallica: Live Shit, S&M, Through The Never, O Metallica S&M2 se encontra em ultimo da lista, e considerando os discos gerais do Metallica talvez seja o segundo pior, superando (obviamente) o St. Anger. 

Trabalho no máximo medíocre de uma banda que sempre caprichou nas produções ao vivo.

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