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Matrix Resurrections faz parte de uma geração diferente do Cinema que estamos presenciando. É a era do renascimento das franquias clássicas, com continuações “semi-rebootadas”.

Tudo começou com o impressionante ano de 2015, quando Star Wars – O Despertar da Força, Creed e Mad Max a Estrada da Fúria foram lançados em um curtíssimo espaço de tempo. A fórmula já foi estabelecida lá: pegamos o escopo do filme clássico, somamos novos personagens interagindo com os novos e conduzindo à um novo desafio e evoque a nostalgia de um público antigo e crie um novo.

Claro que deu certo, todos esses 3 filmes são espetaculares, mesmo que nenhum dos citados fez parte da minha infância, eu senti na pele a emoção um quarentão que viveu nos anos 90/80 e revendo aqueles personagens que foram importantes na infância de alguém.

São filmes extremamente debatidos na internet, gerando polêmicas e muita bilheteria, o que é que importa no fim das contas.

Onde Matrix Resurrections está inserido?

Claro que Matrix Resurrections vai na mesma leva destes filmes citados anteriormente. Pegamos o mesmo arco do filme de maior sucesso, introduzimos novos personagens em interação com os antigos e um novo desafio. O arco da obra é este e ponto final, teoricamente não é nada de novo que já fomos apresentados nos últimos 6 anos.

Ou seja: é uma Jornada do Herói atualizada.

E a diretora soube muito bem disso e até brinca com tal fato. “Poxa, estamos fazendo uma continuação só porque a Warner pediu”, “eles vão fazer isso com ou sem a gente”, o roteiro e as falas do primeiro ato simplesmente desenham isso para você. E em contramão de Despertar da Força, Creed e Estrada da Fúria, Matrix revela-se não muito sério em si, assumido descaradamente que é apenas uma continuação caça-níquel mesmo.

Essa honestidade de Matrix funcionaria caso sua trilogia inicial não se levasse tão a sério, ou seja, tornando o filme atual extremamente deslocado do resto da mitologia das Wachowski. Acabou que Resurrections sendo nem um pouco condizente com a saga principal.

Essa vibe FODA-SE do projeto é sentida não só no roteiro, mas na atuação preguiçosa do Keanu Reeves, que faz o projeto mais fácil da carreira dele. A atuação do cara se resume em ficar olhando com um olhar meio perdido e murmurar.

O que não podemos dizer o mesmo de Carrie-Anne Moss e Neil Patrick Harris, que estão muito bem, dando vida ao filme. O tom debochado da proposta conversa bem com o Agente Smith e o novo vilão da franquia, trazendo aquele ar menos apocalíptico e mais “descolada” da franquia.

Matrix – Nostalgia, notalgia e nostalgia

A preguiça do roteiro é descarada no apelo incessante à nostalgia do público. Não bastando o excesso do escopo do roteiro original, também temos flashes do primeiro filme à todo momento. Inicialmente eu achei interessante, vendo no cinema, pois estava até sendo pego pela memória afetiva.

Mas parando para pensar, foi algo extremamente gratuito e quase excessivo. Era praticamente uma lembrança “olha, você ama o Matrix original, estamos fazendo outro, peço perdão por algum vacilo” e assim se tornando autoindulgente.

Mas assim como foi bem explanado na excelente crítica do Dalenogare: Matrix Resurrections será o “ame ou odeie” da vez, e eu complemente que o efeito Nostálgico e a ludicidade da obra podem ser os principais causadores das reações extremamente distintas do público.

Conclusão

Matrix Resurrections é um filme que diverte, apela à nostalgia e possui algumas boas sequências de ação. Somado ao fato do roteiro escrever na sua cara que “não é uma continuação necessária” o filme replica excessivamente o primeiro filme, mas sem se levar a sério. Tom este que funciona com alguns personagens, mas em outros nem tanto (Morpheus).

No fim das contas, Matrix Resurrections consegue um feito impressionante: ele replica todo o filme original e consegue ter um resultado completamente oposto – ser um blockbuster de ação extremamente genérico.

Deveras mediano.

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