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Após nos apresentar Changes, um álbum sem muita inspiração que teve como primeiro single Yummy que mais parece ter sido um dos descartes do My World, muito pouco se esperava de Justin Bieber que lançaria seu sexto álbum Justice, pouco mais de um ano após seu último disco.

E foi com essa atmosfera como sua adversaria, que Bieber nos apresentou o que talvez tenha sido o seu álbum mais maduro até o momento.

De músicas românticas, até clamores por igualdade racial, Justin Bieber mostrou mais uma vez sua multidimensionalidade, cujo qual não víamos desde 2015 em seu álbum Purpose o que deixou todos os seus fãs felizes… ok nem todos.

O Retorno do Bieber Romântico

Vamos começar deixando algo bem claro, músicas românticas sempre foram a especialidade do Bieber desde o início de sua carreira.

Músicas como Baby e One Time não tiveram uma melhor recepção por motivos simples, o fato de serem músicas extremamente comerciais, e de serem o retrato do que é algo “fabricado pela indústria” junte isso a um garoto com voz em desenvolvimento e pronto, o estrago foi feito.

Mas com isso fora do caminho e com uma década inteira tendo passado devemos admitir, aquilo que começava a se desenhar no Purpose foi sacramentado nesse álbum.

Justin Bieber é imbatível em canções de amor, pegando como exemplo a música “Holy” primeiro single do álbum que inclusive foi escrita pelo próprio Justin (acreditem isso faz muita diferença artisticamente falando).

A música é claramente dedicada a Hailey Rhode Bieber, esposa do cantor. Na música Bieber menciona o quanto ela mudou sua vida e como ele teve que ir contra muitas coisas para seguir um caminho junto a ela, a música também conta com a participação de Chance the Rapper que não é nem de longe o único rapper nesse projeto, mas falaremos disso mais tarde.

Nas 3 primeiras músicas: 2 much, Deserve you e As i am, Bieber mostra uma grande versatilidade com estilos, ele consegue fazer músicas que se ligam entre si, mas que ao mesmo tempo são únicas, desse jeito, evitando que o álbum seja mais um daqueles que apresentam muitas músicas que seguem basicamente o mesmo som e mesmo ritmo em sequência.

E também devo falar sobre There she go, por onde devo começar com essa música? Eu a chamo carinhosamente de “a intensions que deu certo”, nela vemos um Bieber solto cantando com alegria, diferente da intensions aonde JB parece cantar com uma arma apontada a sua cabeça.

E temos Lil uzi vert na música, quando falar de crossovers ambiciosos não se esqueça deste.

Aproveite para escutar depois:

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Justin Bieber e os Rappers

Não é de hoje que vemos Bieber com uma grande influência do hip hop e do r&b em suas músicas, eu diria que essas influencias aparecem desde 2012 em seu álbum Believe, ou podemos ir até antes disso e lembrar que seu primeiro grande hit a fatídica Baby, teve participação de um dos grandes nomes do rap, o Ludacris.

Porém, foi a partir do Purpose que essa influência ficou nítida, e em Justice ela é ainda maior, temos o envolvimento de nada mais nada menos do que 8 rappers no projeto.

É um fato interessante se você parar pra pensar que segundo rumores em um ponto Eminem se negou a fazer uma música com o cantor por acreditar que suas audiências não combinavam.

Mesmo tendo quase metade do álbum (que não é pequeno por sinal), preenchido por participação de rappers, não custa lembrar alguns nomes que poderiam ter carimbado presença nesse álbum.

Alguns meses atrás Bieber literalmente gravou um clipe para o Drake, eu realmente esperava que isso pudesse ser retribuído com uma participação no álbum do JB.

Dessa vez sendo um pouco menos realista, já passou da hora de Bieber e Abel se acertarem, uma música entre os dois seria a oitava maravilha do mundo, o especialista em músicas de amor com o especialista em músicas de desilusão o Grammy viria fácil (a menos que o Bieber fosse performar no SuperBowl semanas antes).

Com tudo, embora sempre tenha algum crossover que fica em nossa cabeça, não podemos reclamar da quantidade ou da qualidade dos feats nesse projeto, pra ser sincero, não tem como reclamar de quase nada… eu disse quase.

Bieber Teve um Sonho… E foi cancelado por ele.

Tanto na introdução do álbum quanto na faixa MLK Interlude, Bieber usa trechos de discursos marcantes de Martin Luther King.

A intenção parece ter sido das melhores, afinal, o álbum se chama Justice tem tudo haver iniciar o álbum com um discurso sobre justiça social correto? Aparentemente não.

Algumas pessoas acreditam que Bieber levantou uma bandeira que não é sua ao usar os trechos de MLK e que ele deveria deixar as lutas raciais para os diretamente envolvidos.

Isso é muito semelhante ao que aconteceu com o álbum Revival do Eminem cujo qual abordava firmemente as questões sociais e recebeu duras críticas com o mesmo embasamento sobre isso.

Porém, é muito fácil entender a diferença entre os dois álbuns e a razão pela qual Justice não receberá o mesmo tratamento do álbum de Eminem, ao contrário do Revival, Justice é um bom álbum.

Algumas Considerações Finais Sobre a Arte e Sobre o Artista.

Justice surpreende com um tom mais maduro e com uma musicalidade nunca antes apresentada por Bieber.

O álbum não tem se quer uma única música ruim e sempre bom lembrar que estamos falando de um álbum de 22 faixas em sua versão deluxe.

Muito se pedia pelo novo Purpose, porém Bieber nos trouxe algo tão bom quanto, se não melhor.

Mas com seu estilo único, não lembraremos do Justice como “aquele álbum que parece o Purpose” mas sim como um dos melhores álbuns da carreira do Justin onde nos trouxe algo novo e original.

Mas e então, JB nos veio em março com um álbum que já sobe muito a barra para a discussão de melhor álbum do ano, veio com um som maduro, letras conscientes, e mensagens sobre justiça, será que agora os haters se rendem? A resposta é simples, não, e vou explicar o motivo.

Justin foi lançado na indústria com um dos piores timings possíveis, você pode argumentar que foi lucrativo e nisso eu irei concordar.

Entretanto, lançar um garoto de 15 anos com potência vocal ainda não desenvolvida cantando uma música com um refrão composto por uma palavra custou muito para o Bieber a longo prazo.

Querendo ou não, a imagem dele ainda está muito ligada a seus primeiros sucessos, prova disso é o fato dele ainda incluir Baby e One Time na setlist de sua última turnê, o início de carreira de Justin é algo que dificilmente ele conseguirá apagar (inclusive não acredito que queira).

Álbuns como Changes que contam com músicas como Yummy são prato cheio para os que dizem “tá vendo, tá a mesma coisa, mudou nada” seguir com sua opinião formada e claro, não dar a mínima atenção para uma obra prima como Justice.

Mas assim como Bieber e suas letras amadureceram, também é necessário um amadurecimento da parte dos ouvintes.

Por fim Justice foi uma surpresa mais do que agradável um álbum incrível: do começo ao fim uma coletânea de músicas que poderemos ouvir nos nossos fones de ouvido ou tocar nas festas… um dia… quando elas voltarem.

E que com sorte, iniciará uma nova etapa na carreira de Justin Bieber.

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