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Era Uma Vez em Hollywood é o mais novo filme de Quentin Tarantino, diretor queridinho na internet, que tem uma filmografia bem autoral, sempre colocado no posto de maiores diretores da atualidade. E isso não é pouca coisa.

E realmente ele é muito bom, 2 dos seus filmes estão na minha lista de filmes preferidos: Django e Bastardos Inglórios. E agora ele está de volta com uma história do fim dos anos 60, com um elenco estelar e um orçamento de 90 milhões de dólares, coisa de Blockbuster gente. 

Todo esse orçamento ajudou a construir toda uma Hollywood da década de 60. Com uma direção de arte e de figurino excelente, a gente se insere fácil na história. Tecnicamente o filme é muito bonito, a fotografia colorida com cores quentes e até “descolada” de certa parte.

Para quem não conhece, o Quentin Tarantino é uma enciclopédia de filmes. Ele sabe tudo sobre os filmes antigos, novos etc. Um apaixonado pelos filmes de Faroeste da década de 60, que é exatamente onde o seu mais novo filme está situado: a História de um ator e seu dublê buscando sucesso numa época que a moda eram os filmes/séries de faroeste.

O contexto do filme também está inserido na história da Sharon Tate, atriz e esposa do Roman Polanski (diretor de filmes) que foi brutalmente assassinada por hippies à mando do Charles Manson. Mas assim como em Bastardos Inglórios, meu filme preferido do diretor, esse filme está nem um pouco comprometido com a veracidade dos fatos.

Há uma romantização idealizada do período em questão. A Sharon Tate é mostrada de uma maneira quase angelical, sério, e a dupla protagonista sequer existiu na história, mas o filme coloca-os para interagir com a realidade, um enorme “e se..” de 2 horas e 40 minutos que passaram em um estalar de dedos e até achei que faltou mais.

O que me conquistou no filme foi a comédia e carisma dos personagens. Fui assistir ao filme segunda-feira a tarde, com o cinema bem cheio, e o pessoal gargalhava muito a cada cena. Isso vem muito do carisma que o Brad Pitt e o DiCaprio esbanjam. O DiCaprio é o protagonista: o ator inseguro, que se cobra muito e morre de medo da sua carreira acabar e o Pitt, o dublê e amigo do protagonista, que funciona muito como apoio moral e faz-tudo.

A introdução, desenvolvimento e conclusão da dupla é perfeita (ou quase). Conhecemos suas histórias, qualidades, defeitos e todas as outras características. Acompanhamos o Rick Dalton gravando pilotos de faroeste, errando falas e se cobrando. Enquanto isso, seu dublê/amigo/faz-tudo  Cliff Booth passeia na cidade juntamente com uma hippie e conhecendo uma comunidade da contra-cultura, num arco que vai ser determinante no terceiro ato.

Há muitas críticas em relação às cenas do Brad Pitt dirigindo o carro direto. Eu particularmente não achei problemática, porque durante isso a gente se transporta para a década ao som de clássicos dos anos 60, ajuda na ambientação. Embora tenha parecido um pouco demais, não senti o filme ficar cansativo ou repetitivo, muito pelo contrário.

Acho que meu maior problema com o filme foi a falta de cenas com a Sharon Tate, personagem da Margot Robbie. Ela fica um tanto isolada demais da história principal, que remonta todo o período do seu assassinato. Como eu já sabia da história dela antes de ver o filme, fiquei incrivelmente tenso no terceiro ato. Mas, refletindo depois, percebo que quem não conhecia poderia ter ficado um pouco confuso ou ter achado chato. Realmente faltou uma maior abordagem da personagem.  Por isso que digo que esse filme até faltou mais cenas, para mostrar mais a Sharon Tate dialogando com a história.

O terceiro ato, na mesma noite do trágico assassinato da Sharon Tate pelos hippies, vemos o Tarantino (assim como Bastardos Inglórios) modificando a história. Em vez de irem para a casa da Sharon, os hippies acabam indo para a casa de Rick Dalton enfrentar a dupla principal. E daí que temos o tradicional banho de sangue e GORE característicos do diretor. Uma violência, assim como todo o filme, cômica.

E assim terminamos o filme com Rick Dalton interagindo com a Sharon Tate sã e salva, assim como na visão idealizada de Tarantino queria que acontecesse.

Conclusão

Era Uma Vez em Hollywood é o retrato nostálgico e idealizado de uma hollywood que respirava filmes de faroeste e ainda vivia o ápice da “grande estrela”. Extremamente engraçado e carismático, cheio de participações especiais (com destaque pro Al Pacino), em nenhum momento a obra pareceu maçante ou chata, até porque já estava imergido no universo que queria ser apresentado.

Apesar de não ser perfeito, recomendo demais para qualquer pessoa assistir e já está entre meus preferidos do diretor. Ele sabe exatamente o que estava fazendo, só não achei que ele foi muito bem na escolha de não trabalhar tanto na Sharon Tate.

Era Uma Vez em Hollywood é uma carta de amor ao cinema dos anos 60. Filmaço.

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