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Dawn FM é o mais novo álbum de estúdio de The Weeknd – Um dos cantores mais populares de seu tempo.

Depois de ter praticamente inaugurado a era dos discos lançados na pandemia com After Hours, Abel Tesfaye continua sua experiência musical inspirada em elementos da música POP de décadas passadas, agora com uma inspiração noventista clara.

Dentro do nosso podcast sobre After Hours, até na nossa crítica, ressaltamos muito sobre o excesso da referenciação oitentista no projeto. Como se o poder da nostalgia sobrecarregasse o projeto, nos entregando uma overdose de sintetizadores e um trabalho bem mais “mão pesada”.

Definitivamente há um sentimento de “continuação” do seu antigo projeto em Dawn FM, mas eu garanto: tudo o que eu esperava de After Hours está perfeitamente entregue em Dawn FM.

Algumas Características Marcantes de Dawn FM

Sintetizadores, riffs que grudam no ouvido, instrumentos reais e a leveza de uma obra referenciada. Todas essas características podem ser adjetivadas para o novo projeto de The Weeknd. O principal adjetivo definidor do projeto é a leveza.

Se no passado fomos pulverizados por sintetizadores e batidas enjoativas por 14 músicas, com metade delas sendo fadadas para o esquecimento, este novo projeto se mostra bem mais consciente em si: com transições extremamente orgânicas e graduais como em Kiss Land, mas sem o peso de tentar “revolucionar” o POP Synthwave.

Tudo é muito bem dosado: refrões que você canta junto, algumas músicas empolgantes, Dawn FM se torna um entretenimento extremamente bem pesado, sem se tornar maçante, mas ao ponto de fisgar e colocar o disco todo no repeat por um bom tempo.

É perceptível um cuidado maior na questão do álbum em si. Ao longo dos seus 11 anos de carreira, Abel parece ter se preocupado mais com transições entre músicas no projeto Kiss Land, que é um tanto desconhecido da sua maior fanbase.

Há algumas exceções no percurso da carreira, como a transição de False Alarm para Reminder no Starboy. Mas em Dawn FM, vemos transições graduais tão boas quanto em Kiss Land, talvez até melhores!

As pausas que o disco se dá para emular uma estação de rádio são pontuais, seja com o próprio Abel ou com a ótima locução de Jim Carrey. Essa sacada de transformar Dawn FM em algo focado em si foi um acerto dos grandes, mas há alguns ônus do projeto.

Os “problemas” de um álbum conceitual

O grande problema dos álbuns ditos conceituais é a falta daquele hit poderoso, uma “killer track”.

Falamos da música que será sempre lembrada pelos fãs do artista ao longo dos anos. Mesmo que eu não tenha gostado de After Hours, é inegável que Bleeding Lights foi uma música marcante, que vai atravessar os anos e envelhecerá bem.

O grande single de Dawn FM é Take My Breath, que por mais que seja uma grande música, melhor que mais da metade das faixas do projeto anterior, não foi um mega hit.

Isso por um certo ponto de vista jogue ao lado do todo, deixando todas as faixas com a mesma importância, é difícil “escutar uma só música” de Dawn FM.

Uma consequência negativa é que exatamente por isso que torne este álbum subestimado pela fan base, pelos críticos e pela própria indústria ao longo do tempo.

Um grande exemplo é o próprio Kiss Land, que sai como “cult” por não ter nenhum hit comercial nas suas faixas, mesmo sendo um grande disco. É provável que Dawn FM tenha o mesmo destino

As faixas de Dawn FM

Excluindo os interlúdios e narrações, temos 12 faixas unicamente musicais.

Dentro delas, eu consigo destacar 7 grandes músicas, que certamente serão obrigatórias quando se for revisitar a discografia do Abel.

Como eu disse anteriormente, é difícil apontar uma faixa apenas que podemos destacar, visto que todas estão muito bem conectadas em si, mas se eu pudesse forçar um pouco, a sequência Best Friends e Is There Someone Else talvez seja o auge da obra.

A maioria das letras retratam relacionamentos antigos e recentes do Abel, o que é condizente com as letras dos antigos projetos, mas também com o gênero que pretende referenciar.

Apesar de ter faixas incríveis, nenhuma letra pareceu tão intimista quanto outros projetos, como o BBM e o My Dear Melancholy, o que está bem, só que se você procura faixas mais densas pode se decepcionar.

Conclusão

Dawn FM brinca de ser um álbum referencial, metalinguístico, nostálgico e futurista ao mesmo tempo.

Vemos ao mesmo tempo a evolução de um artista que deixou de ser um conhecido no seu nicho, para uma legítima estrela do mainstream do pop de sua geração.

Depois de demonstrar a solidão da sua alma, se provar ser uma estrela, compor músicas da madrugada, o amanhecer da sua discografia chegou: estilizado, leve, e muito bem dosado.

Apesar do seu último trabalho não ter completo 2 anos de existência, somos presenteados com algo ainda melhor, que mesmo sem um mega hit em potencial, há algumas das melhores faixas da carreira do Abel.

Mal posso esperar pelo próximo projeto.

Escute Dawn FM

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