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Quantas vezes você já falou ou ouviu de alguém: “antigamente é que era bom”, “no meu tempo as musicas eram melhores” “hoje a música é um lixo”?

São frases extremamente frequentes na internet e na vida real. Entretanto, você não pode afirmar com toda a certeza do mundo que a geração anterior é melhor que a atual, em nenhuma hipótese.

E isso vale para todas as áreas da vida: Do futebol, música, cinema literatura, televisão…

O que é música, filme, livro de velho, hoje foi música, livro, filme, de um jovem no passado. A cultura se remodela de tempos em tempos, não existe essa de cultura melhor que a outra.

E sempre tem o recorte. Hoje somos atacados com tudo o que é bom e ruim da cultura, dos esportes, da literatura. Mas daqui a 20 anos vamos fazer uma filtragem dos melhores e assim realizar o processo de idealização do tempo..

Daqui a 20 anos vamos conhecer aquele cantor de rock que passou despercebido dos nossos olhares, e lembrar somente dele, não de outros artistas ruins do mainstream.

Pensar que antigamente era bom é só o filtro das coisas boas sendo utilizado.

Antigamente tinha Rock que era bom, não esses artistas Pop horríveis, até o pop antigo era melhor

Imagine que você quer escutar um bom rock oitentista, provavelmente vai procurar um Guns ‘n Roses e Scorpions, não vai procurar os Cascavalletes: Banda brasileira gaucha que fez um sucesso com o hit “Eu quis comer você”:

O mesmo serve para o Pop, muitas pessoas, renegando o pop atual vão buscar músicas e artistas antigos, como Madonna, o Michael Jackson ou o Prince.

Certamente que eles não irão procurar o clássico “Short Dick Man”, que foi um sucesso (e foi outra música exibida no brasil)

Podemos citar uma enormidade de músicas ruins de gêneros endeusados em seu passado. Ramones com algumas músicas de 3 palavras e 3 notas: I Dont Care”, entre outras músicas genéricas.

Muitos artistas do passado frequentaram o topo das paradas e sequer são conhecidos hoje, porque eles não resistiram ao filtro do tempo, mas os verdadeiramente bons são atemporais e gera o famoso “antigamente é que era bom”

Enquanto você escuta um Rock oitentista bom mainstream, você pode estar ignorando algum guitarrista no auge em pleno século XXI, como é o caso do sensacional Joe Bonamassa

A questão da escassez e ascensão de gêneros musicais

Algo natural no mainstream da música é a ascensão e queda de gêneros. O século XIX e antes disso os pianos e a música erudita reinaram sobre o mundo, hoje em dia os grandes concertos estão quase extintos.

Depois da segunda guerra mundial, tivemos os precursores do rock ‘n roll, lá pelos anos 40 e 50, tivemos o auge comercial entre 1970 e 1990 e depois o declínio para outros gêneros.

O Pop a partir dos anos 80, com o declínio do Rock, começou a dominar em várias frentes, dos grupos de artistas (as chamadas boybands). Obviamente que aconteceu em todo mundo, o pop é grande na Europa.

No início dos anos 2000 o Eminem levou o Rap das ruas aos apartamentos. Gerando um grande boom na industria musical.

Mesmo assim, com a chacoalhada do Shady, as Divas Pop dominaram o mundo de 2007 até 2014.

Enquanto isso, A industria do rap conseguiu implantar os rappers dentro das músicas das divas pop: Snoop Dogg, Drake, Lil Wayne, Eminem e vários outros entraram em feats e começaram a criar um publico consumidor.

Após 2014, o público estava estabelecido, a era das divas pop ACABOU e alguns caras da industria do POP se converteram ao fenômeno, como o Justin Bieber mesmo lançando álbum de Rap e R&B em 2015.

Hoje se produz muito mais conteúdo de rap que antigamente (obrigado tecnologia). Isso é tão verdade, que o público feminino e LGBT que era o alvo da industria pop foi atrás de um mercado alternativo, como o K-POP.

Enquanto isso as Américas estão inundadas de Rap e R&B e seus subgêneros (trap por exemplo) e claro, reggaeton.

Veja bem, você disser que antigamente é era bom porque o Rock estava no auge, é algo subjetivo e pura memória afetiva, visto que não existem gêneros melhores do que outros.

Antigamente é que tinha filmes bons, hoje em dia Cinema significa só filminho de Super-Herói

 O argumento de que “só existe filme de super heroi” no cinema hoje é uma falácia, na verdade não é 10% do que é feito.

Se você procurar além do mainstream você vai encontrar uma infinidade de filmes sobre os mais variados temas.

Eu tento fazer isso e eu adoro os filmes super herói, mas não me limito só a eles. Pelo menos eu tento. E cinema, é como música, literatura, desenhos animados e todas as artes, é sobre tendencias, isso do mainstream ao underground

Anteriormente anos 50, 2 tipo de filmes lotavam cinemas do mundo todo: Musicais e Faroestes.

Você sabe o que foi filtrado para hoje dos anos 50? Os filmes do Alfred Hitchcock, que eram de SUSPENSE, e não competiam com os musicais.

Portanto, das infinidades de filmes musicais e faroestes, se sobressaíram o clássicos como os musicais do Minelli e os faroestes americanos clássicos.

Posteriormente, nos anos 60 tivemos uma inundação de Faroestes Spaghetti, da Itália. Se produzia filmes de bangue-bangue a exaustão.

Você sabia que a Crítica americana teve que restruturar a crítica de um tidos como um dos melhores da história, Três Homens em Conflito porque na época “eles não consideravam faroeste como cinema” coincidência?

O Sérgio Leone, o maior diretor de faroestes da história foi redescoberto depois que morreu, e é claro o filtro do tempo agindo.

O próprio Tarantino fala que Três Homens em Conflito é um filme perfeito, mas foi renegado pela crítica por ser um western.

Certamente, o filtro do tempo irá agir e os vários filmes genéricos de super-herói serão deletados da memória coletiva e somente os verdadeiramente bons permanecerão na cultura popular.

A Nostalgia e o efeito da memória afetiva

Acima de tudo, Nostalgia é um sentimento bom, nós idealizamos o passado para ter algum escapismo dos problemas do presente e preocupações do futuro.

Para realizarmos esse escapismo, filtramos o que era de melhor do passado: Nossas músicas e filmes preferidos, ignoramos o que era de ruim.

Consequentemente condenamos o presente e o futuro, visto que somos pulverizados com o que há de bom e ruim em relação a cultura. Muitas pessoas mais velhas não lembram que a final da Copa de 94 foi um jogo ruim, mas só sentem a felicidade do tetracampeonato,

Também muitas pessoas não lembram que a batalha de Obi-Wan Kenobi e Darth Vader em Star Wars – Uma Nova Esperança foi algo extremamente mal coreografado e mal executado, mas a memória afetiva os faz pensar que foi uma batalha impressionante.

Entretanto, não podemos condenar a geração anterior e achar a nossa totalmente superior. Visto que somos privilegiados por uma tecnologia avançada e pelos precursores do passado.

Compare Star Wars – Uma Nova Esperança com O Despertar da Força (que usa o mesmo esqueleto) e veja todas as evoluções técnicas e de roteiro. O filme que reiniciou Star Wars consegue aparar diversos pontos datados do filme de 1977, como cenas de ação, fotografia, eliminação de excessos narrativos etc.

Entretanto, não podemos considerar como melhor, já que sem Uma Nova Esperança e todos os seus ineditismos, não existiria Despertar da Força. Somente podemos dizer que cada filme conversa muito bem com a sua geração que está inserido, um nos anos 70 e o outro nos anos 2010.

Aliás, conversamos muito sobre Star Wars e cinema antigo x cinema moderno no nosso ultimo podcast.

Enfim, não podemos considerar que uma geração é melhor que a outra culturalmente, a cultura se remodela de tempos em tempos e conversa com seu público.

Somos frutos dela, nem melhores ou piores que outras. A sensação que antigamente era melhor é só o filtro do tempo agindo, e irá agir novamente daqui há 10, 20 anos.

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