Crítica: O Irlandês (The Irishman) - SEM SPOILERS


210 minutos. Essa foi a duração de O Irlandês, a nova superprodução de Martin Scorsese para a Netflix. Estamos falando de um filme que custou um orçamento de mais de 140 milhões de dólares, maior que blockbusters de médio-alto porte, como Mulher Maravilha. Longo e caro, o diretor precorreu várias produtoras, que negaram, somente recebendo a resposta positiva da Netflix, que vem numa sequência boa de filmes com diretores consagrados em busca de premiações.

Ano passado foi com Roma, de Alfonso Cuaron, tivemos filme dos Irmãos Cohen e agora do aclamado e considerado como "O maior diretor americano vivo" Martin Scorsese. Aquele mesmo que  reacendeu a polêmica sobre o cinema mainstream, em especial, filmes da Marvel, afirmando que não são cinema.  Pessoalmente, achei uma boa estratégia para gerar aquele bafafá, ter seu nome falado e ajudar na popularização do novo longa. Certeza absoluta que Irishman não teria esse buzz de parte da internet sem as declarações anteriores.

Durante a primeira metade do filme, que é muito boa, deu pra notar que era um filme de gangster que iria massagear egos de algumas pessoas que exaltam a si mesmos por preferirem os filmes clássicos "de verdade" aos blockbusters recentes. É tudo o que a gente viu nos Bons Companheiros, Poderoso Chefão da vida: A história do estranho entrando no mundo elegante e sanguinário da máfia. Apoiado com a tecnologia que o orçamento permitiu, de rejuvenescimento facial dos protagonistas, acompanhamos uma história inicial bem familiar aos olhos de quem já assistiu alguns clássicos do gênero.

De Niro e Al Pacino já atuaram juntos em Poderoso Chefão 2


Esse ar de familiaridade é reforçado pelo elenco principal, que simplesmente 3 dos maiores atores de sua geração: Al Pacino, Joe Pesci e o Robert De Niro. Eu nem preciso dizer nada sobre a atuação dos caras. Todos setentões, experientes e sem nada mais para provar, possuem uma química ímpar e fazem a trama funcionar durante os longos e excessivos 210 minutos. 210 minutos, que são longos e cansativos, mas longe de ser em marcha lenta. Se procurar, você encontra alguns longas de 2h que são tão lentos que você acha que durou 4h.  O ritmo de O Irlandês não é dos mais fluidos e frenéticos, como O Lobo de Wall Street (do mesmo diretor), mas é o ritmo certo para esse tipo de filme.

O melhor do filme, com certeza é o terceiro ato. Ali acredito que compensa (ou quase) todos os 210 longos e excessivos minutos de trama (sim). É o melhor trecho do filme, pois abarca algo que é muito pertinente aos atores e ao diretor: encarar o fim da vida depois do fim da missão. Você encara todas as consequências, erros e acertos de seus atos depois de tantos acontecimentos. Acho que o Scorsese escolheu o momento certo da carreira pra dialogar com isso, e com os atores ideais para isso.


Conclusão


The Irishman é um filme aparentemente familiar, com excelentes atuações e a direção de um dos maiores da história. Mas que se destaca por uma nova visão mais experiente, olhando tudo o que já foi feito sob a ótica do fim da vida e sofrendo as consequências disso.

De Niro e Scorsese se tornaram tudo o que são por conta um do outro e do que faziam na década de 70 e 80. Irishman parece uma reflexão dos 2 sobre os filmes que fizeram e de tudo que construíram.

Ótimo filme.




Crítica: O Irlandês (The Irishman) - SEM SPOILERS Crítica: O Irlandês (The Irishman) - SEM SPOILERS Reviewed by Adão Filho on novembro 28, 2019 Rating: 5

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