Crítica: Roma (COM SPOILERS)


Roma é o mais novo filme do Diretor Mexicano Alfonso Cuarón. O mesmo já dirigiu outros filmaços como Gravidade, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Ele fez um filme que os colegas cinéfilos vivem me indicando: Filhos da Esperança, que é outro aclamado do diretor. Bom, dá pra ver que o Alfonso Cuarón é um cara aclamado no cinema, junto com o Guillermo Del Toro e o (cof. cof) Iñarritu formam o trio dos Mexicanos que vem rapando os Oscars de Melhor Direção nos últimos anos.

E eu acho que essa geração mexicana vai continuar faturando os grandes prêmios, porque Roma é um filmaço. Mas a percepção entre ser um Filmaço ou "Chato pra caralho" depende muito de vários critérios. Primeiro é claro do gosto pessoal, há quem não gosta de Dramas, eu não sou o maior fã do gênero por exemplo, mas há alguns filmes que são sensacionais. Também existe o caso da realidade da pessoa. Um exemplo que posso dar é o Pantera Negra, que realmente teve um boom na comunidade negra. Eu falo por alguns amigos negros, que ficaram fascinados com a história do Killmonger. Muita gente que não tá nem aí para filmes de Super Herói, ou acham saturados, amou Pantera Negra.

No caso de Roma, ele faz muito, mas muito sentido para quem conviveu com alguma Empregada Doméstica. Eu passei uma boa parte da minha vida na casa da minha vó, onde ela sempre teve alguma moça que a ajudava nas tarefas diárias.  E consegui entender muito toda a relação de Cléo com a Família para quem ela trabalha. No filme se nota que ela é uma Empregada, está lá para trabalhar, entretanto ela faz parte da família, uma integrante importante.




Essa relação de Família com a Cléo é a chave do filme. Desde o início, você começa achando que ela é totalmente aquém aos Patrões, mas a relação entre os 2 elementos (família e cléo) é revelada conforme passa o filme. Tem 3 momentos que eu achei muito importantes para estabelecer esse laço forte de empregador e empregado: O primeiro é quando a Cléo engravida, há todo o cuidado com ela: a levam para ter os melhores cuidados possíveis com a criança. Outro momento é obviamente depois da traição do esposo de Sofia, onde ela encara sua empregada, que também fora abandonada por outro homem e afirma "Nós mulheres sempre estamos sozinhas". Dava pra ver exatamente nessa parte o quanto ambas as partes estavam tão próximas.

O terceiro momento chave que o roteiro foi perfeito certamente é o final. Quando as crianças foram puxadas pela correnteza do mar e estavam próximas de serem afogadas. Aquilo foi de cortar o coração, visto que elas também são muito ligadas à Cléo: tratam ela como se fosse uma tia talvez, um ente querido. E tudo isso em um dos diversos planos-sequências do filme. A parte técnica do filme é absurdamente sensacional.



Pra começar, toda a parte técnica é incrível. Você vê plano sequências com a câmera girando e você compreendendo tudo o que está acontecendo no momento certo, juntamente com o som ambiente aumentando. Puta que pariu, a cena antes do parto do filho da Cléo, quando acontece quase uma guerra civil de rebeldes contra policiais é o exemplo ideal disso. A cena começa até calma, da Cléo e a Mãe de Sofia procurando o Berço ideal, o barulho do som ambiente começa aumentar, aumentar, aumentar e a câmera foca na janela, onde você vê um combate brutal de polícia contra manifestantes.

Cuarón é um excelente diretor. E a cada minuto que passava eu imaginava o Steven Spielberg se arrependo por sua frase: "Filmes da Netflix não devem concorrer ao Oscar". Na verdade, filmes da Netflix como esse tem a obrigação de concorrer ao Oscar e outros prêmios importantes. Um filme desse quilate, filmado com excelência não merecer os prêmios que vem levando? Ah por favor.

Como nem tudo são flores, o filme tem alguns pequenos problemas no quesito do ritmo da história. Lá pela primeira hora de filme as coisas parecem se arrastar um pouco. E já falamos de uma película que é marcha lenta o tempo todo. Tanto é verdade que o terceiro ato os acontecimentos na história parecem acelerar, entrar num ritmo mais frenético do que está, ficando bem mais empolgante. Principalmente no trecho do Parto de Cléo e quando recebemos a notícia que ele nasceu morto. O filme empolga demais e deixa um espírito de climax muito foda.

Conclusão


Realmente não é o melhor filme do Cuarón, acho que Gravidade e Prisioneiro de Azkaban são superiores, mas não deixa de ser um puta filme. Eu queria colocá-lo como melhor diretor Mexicano da atualidade, mas não posso afirmar sem ter visto todos os filmes dos 3 grandes. O que pode-se dizer é que Roma é uma aula de cinema com uma história tocante e muito bem contada, mas com alguns trechos um tanto maçantes.

Altamente recomendado.


Crítica: Roma (COM SPOILERS) Crítica: Roma (COM SPOILERS) Reviewed by Adao Filho on janeiro 15, 2019 Rating: 5

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