Crítica: Justiceiro - Segunda Temporada (SEM SPOILERS)

Desde o fim da primeira temporada, eu estava ansioso pela segunda temporada de Justiceiro. Não sei se o meu hype/amor pela série veio dela ter sido boa após a decepção que foi Defensores, mas adorei todo o arco de Castle, Micro e tudo que envolveu Billy Russo.

Já havia me interessado por essa 'versão' do personagem desde Demolidor, mas eu tenho uma certa aversão a algumas séries, então fui ver as temporadas da trajetória de Matt Murdock por completo (na época, 2017, só haviam duas temporadas) pouco antes de Defensores e Justiceiro sair, para tudo ficar fresco na minha memória. E deu certo, por mais que vendo hoje em dia, não é algo obrigatório para se fazer.

Mesmo com aquele trailer mostrando que após o final bem violento que deram para Russo, a sua aparência estavam bem suavizada, minha confiança no produto falou mais alto... E aqui estamos, mais um review, porém dessa vez, não terá spoilers.

A história dessa temporada é muito mais para aprofundar em Frank Castle. Parece estranho a primeira vista, mas a forma que colocam isso frente aos acontecimentos da primeira temporada, é muito bom. A discussão da linha tênue que Frank vive para tudo que ele faz, e como as pessoas usam isso contra ele, porém ao mesmo tempo, isso é usado muito por ele mesmo a seu favor é simplesmente uma boa sacada. Não dá pra explicar muito, afinal, 75% do plot é nisso.

Nessa parte do Frank, o Curtis é o que mais tenta deixar seu amigo ciente de que ele e Billy não são a mesma coisa, o interessante é que por mais que ele diga, a cada vez, nem ele acredita mais no que diz. Eu gostaria que tivesse mais dele na temporada, mas o que tem é muito bom, e fiquei feliz com o desfecho dele, visando que outra temporada beira o impossível.


Não gostei de como colocaram o Billy Russo (Retalho) nessa temporada, principalmente baseado no ator basicamente falando que "as coisas não eram o que pareciam", dias antes da série sair na plataforma. Até entendo o lance dele "perder a memória", mas me soa forçado depois de certo ponto, onde tudo teoricamente faz sentido na mente dele, ele continua agindo da mesma forma. Há uma cena que ele "surta", só que depois (e pelo resto da série), ele volta agir como antes, e a série insiste em dizer que ele mudou, só que continua do mesmo jeito do começo.

A Madani e a doutora são as partes dessa trama do Billy que mais gostei, principalmente a história da Krista ser meio que relacionada a da Madani, cada uma está lutando pra superar seus traumas da sua maneira, por mais que chegue um ponto que ambas estão totalmente erradas.

A Krista foi um caso bem especial pra mim, porque com ela no começo eu estava mega animado, mas chegou um ponto que eu simplesmente deixei de me importar. Todo o seu arco de tentar salvar os outros e acabar confundindo as coisas é legal no começo, mas depois que vira uma obsessão e a série tenta dizer que é amor, eu cansei. Não engoli a relação com o Billy, porque beira o clichê.

As partes mais "tragáveis" vem depois que ela conta uma história de porque faz aquilo e não desiste de seus pacientes, só que eu odeio quando qualquer mídia pega uma personagem forte (principalmente feminina) e faze um caminho reverso, onde ela termina como uma sidekick de outro personagem e fingem que isso é "desenvolvimento de personagem", quando na verdade, não passa de um roteiro ruim.

Sobre a "segunda história", relacionada a "garota", ela é mais pra complementar e justificar a trama principal. A parte que envolve John Pilgrim e toda a discussão sobre religião  —  e o quão longe alguns vão crendo cegamente em algo  —  é boa, porém não é nada que justifique algumas partes que supostamente deveríamos nos importar, sendo que temos poucos detalhes dados.

Existem situações que você jura ser um flashback, mas não é. Fui enganado por isso duas vezes, então revi o começo da série pra ter certeza que eu não perdi detalhes, só que a surpresa é: Não perdi, PORQUE NÃO EXPLICAM. É uma pena, afinal, é um personagem tão interessante que acabaram o jogando para fingir que existiam várias frentes contra Castle.

De forma geral, comparado com a primeira temporada, a história tem altos e baixos ao meu ver. Tem momentos que ela se arrasta completamente, e tem outros que eles explicam coisas e você fica louco para saber mais, chega a ser engraçado em alguns momentos o quanto destoam várias partes no mesmo episódio.



Quanto a suavizarem a violência e deixarem o Castle "bonzinho", eu concordei até uma cena de luta que a câmera literalmente mostra uma desfiguração, que é uma constante nessa temporada. Claro que, comparado com a última temporada, tá bem menos gratuito, mas falar que o personagem tá "amolecendo" ou que a série tá "lacrando", ou seja lá qual termo as pessoas estão usando, é meio desonesto, ainda mais que essa série nunca foi o carro-chefe da 'Marvelflix'.

Já as cenas de ação, eu gostei, mas nada comparado a primeira temporada. Acho que a cena que mais gostei foi a da invasão falha, sem muitos spoilers para quem não viu ainda. Toda a sequência com as luzes piscando, os movimentos dos homens e a música tocando a cada vez que o feixe de luz vinha, é muito lindo. Talvez tenha sido a única cena que eu vi umas três vezes, porque queria tê-la fresca na cabeça para comentar aqui, ou em um futuro review com spoilers.

Não sou de falar sobre atuações, mas desde o primeiro momento eu adorei a escalação de Jon Bernthal para viver o papel de Frank Castle. Olhando para ele, você se convence de que ele e o Justiceiro, e hoje em dia, é difícil coisas assim acontecerem. Muito do enredo dessa temporada só é crível devido a sua boa atuação, ainda mais em cenas que você literalmente não deveria dar a mínima. Todos que o rodeiam diretamente como Curtis e a menina, são bem servidos também, o que não significa que eles são atores ruins, só reforça o que eu falo sobre o roteiro.


O final eu achei satisfatório, não parece que eles mudaram algo, mas provavelmente as notícias de cancelamento devem ter chego antes. O ponto final da história não dá um gancho para uma (im)possível terceira temporada, entretanto, é uma série, então eles podem fazer um salto temporal, ou simplesmente pegar qualquer frase solta de algum ponto dessa temporada e iniciar um plot para o futuro.

Não sei se é necessário, mas provavelmente o farão. Eu espero que se o fizerem, que não mate todo o meu amor pela série em si.

Conclusão

Enquanto eu assistia, existiram momentos que eu achei a segunda temporada melhor que a primeira, e em outros, achei o contrário. Hoje, depois de assistir tudo, eu continuo achando a primeira muito melhor, afinal, os altos e baixos dela não eram tão inconsistentes como essa segunda, sem contar que o vilão secundário não era tão distante do plot principal, afinal, o assunto era o Castle de qualquer forma.

Não me levem a mal, não achei a temporada ruim, entretanto, eu esperava um produto muito bom e me veio um "ok". Não acho que a culpa é da adaptação do Retalho, afinal, aquilo nem era o personagem. O problema foi terem tentado seguir um ritmo mais de investigação em uma temporada que não exigia isso.

Se você quiser assistir, assista. Não será um tempo perdido, principalmente se você gostou da primeira temporada. Caso você não tenha gostado da última temporada, ou literalmente não gosta do Universo Marvel na Netflix, passa longe, porque se nem Demolidor no seu auge agradou, Justiceiro em uma temporada nesse nível também não vai.


Crítica: Justiceiro - Segunda Temporada (SEM SPOILERS) Crítica: Justiceiro - Segunda Temporada (SEM SPOILERS) Reviewed by Jeferson Nunes on janeiro 21, 2019 Rating: 5

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