Crítica: Nasce Uma Estrela (A Star is Born) - COM SPOILERS


Nasce Uma Estrela é o primeiro filme na direção de Bradley Cooper (Se Beber Não Case, Sem Limites, Guardiões da Galáxia) e a sua missão não era das mais fáceis: Fazer o remake de uma história clássica de Hollywood e trabalhar juntamente com uma artista da música como atriz: Lady Gaga.

Por ser um remake de um remake (vale frisar), você percebe que durante toda a história há todas aquelas convenções dos filmes de romance: Vida comum de pessoas com problemas - Os problemas são resolvidos com o amor - Separação - O Amor supera as diferenças e voltam a ficar juntos. Sim há quase todos esses clichês já clássicos, mas o diferencial é que Bradley Cooper conseguiu colocar alguns elementos diferenciais para que o filme não se tornasse um romance datado. 


Os Diferenciais de Nasce Uma Estrela


A exploração do filme pelo mundo da música é o meu diferencial preferido. As cenas da turnê de Jackson Maine são fodas: No cinema o som do palco foi elevado ao máximo, sentimos as guitarras, a percussão... é realmente como se nos sentimos num show. Eu adorava quando cortava para alguma cena de show, era empolgante demais. No arco do Jack: Vemos lá o clássico artista em decadência pela bebida e drogas, mas ainda assim amado pelo seu público fiel. Jack, o personagem de Bradley Cooper é esse artista já meio clichê, entretanto muito bem executado. E com uma interpretação excelente, a emoção que o Cooper mostra é a mais verdadeira possível. Isso é ótimo em filme de romance, para que a gente se importe com os personagens.



Quem diria que a Lady Gaga é uma boa atriz?


Cooper escreveu, dirigiu e atuou esse filme. Que trabalho sensacional desse cara, e ele ainda fez algo que eu achava impensável: Fazer a Lady Gaga brilhar atuando (!!!!). Ela é uma excelente artista pop, demonstrou ser muito talentosa... Até achei que ela iria mandar bem, mas o que eu vi foi algo surreal: Ela é uma ótima atriz. Eu não sei o que o Cooper fez de treinamento com ela, sei lá, mas funcionou. As reações dela diante da carreira decadente de Jack e no final, quando o mesmo acaba desistindo da vida são de arrepiar.

Tu é louco mano, que performance foda. Para quem achava a Joanne apenas "mais uma artista pop" estava totalmente enganada, ela manda muito bem no Country Rock nas performances do filme, e até já a vi cantando metal no Grammy.  Ally, a personagem de Lady Gaga se propões como a solução dos problemas de Jack, tipo "ele vai parar de beber e se drogar na sua carreira decadente por causa do seu amor verdadeiro" quando na verdade ela acaba por ter uma própria carreira musical no mundo Pop e afundando mais ainda a vida de Jack.

A questão é: Se Star is Born fosse um romance "água com açúcar" genérico, ou comédia romântica Jack seria salvo pelo amor de Ally, mas não foi, sabe por que? Porque alcoolismo é uma doença, uma patologia. Não é um romance que vai curar, ele até utilizou o amor pela Ally para criar forças para combatê-la, mas não conseguiu.



Os personagens secundários da trama são bons, eles interpretam bem e possuem sentido para a história. Principalmente o empresário de Ally. Ele aparece no momento ideal para fazer a carreira da Ally subir, e tem vários diálogos que ele influencia a mesma a seguir seu próprio caminho e dando instruções para suas apresentações, músicas etc. Achei o personagem muito oportuno, e dá pra ver que nos diálogos que ele tem personalidade própria. Tanto é que o clímax do filme só ocorre por conta dele, quando ele basicamente influencia Jack a se distanciar de Ally, que no caso foi a própria morte.

Alguns pontos fortes... e outros bem fracos


Eu queria destacar a produção do filme. Pra começar falando dessa trilha sonora muito boa, embalado pelo country/hard rock composto pelo Bradley Cooper. Rapaz, é sensacional. Eu passei um bom tempo ouvindo depois no Spotify, destaque para as músicas: Black Eyes, Out of Time e Alibi. Mas é uma pena que nenhuma dessas músicas vai sequer concorrer à Melhor Canção Original, e vocês podem escrever que quem concorrerá e vencerá será Shallow, o single que serviu como um trailer. Eu achei a música bem qualquer coisa, mas como é bonitinha, irá levar. Outro ponto forte da produção realmente foram as cenas dentro dos shows: As câmeras próximas dos artistas, o som aumentado no máximo empolga muito e me deixou muito animado. Acho que esses são os maiores destaques técnicos do filme.


O meus problemas com o filme se passa com 2 cenas específicas. Uma é com o irmão de Jack, um coadjuvante que se mostra muito bem até metade do filme. Mas parece que o roteiro não sabia muito bem o que fazer com ele e no final apenas serviu para uma tentativa bem fraquinha de gerar emoção do público. A cena que mostra a "reconciliação" dos irmãos foi conveniente demais, soou forçada para um final de filme, é tipo uma tentativa expressa de "chora aí cara".

Outra cena que me incomodou foi com a Ally tentando convencer o empresário a fazer Jack ir para a turnê com ela, e o comportamento da mesma soou como uma menina mimada, totalmente incompatível com a personagem. Esse foi o único deslize da Gaga como atriz, ta aí uma cena que poderia ser cortada.

Conclusão

Nasce Uma Estrela é um ótimo filme de Romance, que funciona mesmo sendo um re-remake. Bradley Cooper se mostrou um diretor bem competente: seja tecnicamente na utilização das câmeras, trabalho com atores... E além disso o cara destruiu na atuação. Ele é um cara muito versátil, ora ta fazendo um besteirol (genial) como Se Beber Não Case, ora faz uma dublagem ótima do Rocket no MCU e por vezes faz esses filmes dramáticos e todos eles muito bem trabalhados. 

O filme funciona como um filme Musical e Dramático e ainda revela todo o talento de interpretação da Lady Gaga. Além é claro de consagrar Cooper como um ótimo cineasta. Filme altamente recomendado e é um dos que vem forte para o Oscar 2019.


Crítica: Nasce Uma Estrela (A Star is Born) - COM SPOILERS Crítica: Nasce Uma Estrela (A Star is Born) - COM SPOILERS Reviewed by Adao Filho on outubro 18, 2018 Rating: 5

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