Crítica: Logan (2017, de James Mangold)




Um filme espetacular. A FOX, depois de tantos erros e outros acertos finalmente pode se orgulhar de ter feito uma obra-prima com os X-Men.

Logan foi uma mistura de diversos fatores e incógnitas, que me fizeram suspeitar da sua qualidade quando fui assistir. Devido à diversos filmes de qualidade duvidosa com os X-men e o Wolverine, Logan ficou marcado como a despedida de um ator muito carismático de um de seus papéis mais expressivos.

Confesso que tive que esperar para rever esse filme quando saísse do cinema, estava com certo receio, e assim fazer uma crítica totalmente justa analisando calmamente o filme, longe da emoção que o cinema trouxe. Mas finalmente eu pude ter a certeza que Logan é um filme espetacular em todos os sentidos.

A FOX aprendeu com os erros e fez com que uma das principais HQs do universo MARVEL finalmente tivesse um grandioso filme, passível de ser aclamado no futuro como um clássico. E realmente acredito que possa acontecer, devido a todos os motivos que irei relatar neste artigo.

Começaremos pela(s) proposta(s) do filme. Ao que parece, o diretor James Mangold queria um “filme-arte”. Apesar de não gostar muito do termo, uma das “vontades” que Logan teve foi de se comparar com aquelas películas que estão disputando a estatueta dourada. Isso é tão verdade que um tempo depois foi lançada uma versão do filme em preto e branco, para reforçar essa visão artística.





Mesmo com a proposta de agradar o público mais cult, Logan não queria deixar na mão o público casual de cinema, nem ao fã de HQ e também o fã dos desenhos animados. Uma enxurrada de referências em todo canto para o fã de quadrinhos soltar aquela lágrima, e até as pessoas que passaram vários almoços assistindo X-Men Evolution no SBT com certeza captou algumas referências na trama.

Cenas de análise dos quadrinhos do X-Men, bonecos do Wolverine, atitudes dos personagens e algumas cenas de combate foram um prato cheio para os Nerds.

Logan inovou as cenas de ação dos filmes de super-heróis. Muitos deles, para diminuir a classificação indicativa e vender mais ingressos para um público maior, colocam a violência extremamente limpa, higienizada. Em Logan, temos a violência explícita e suja, mostrando todas as faces da dor dos personagens. Quando o Wolverine enfia suas garras na cabeça de alguém, percebemos a expressão do seu inimigo com detalhes. Há cabeças rolantes durante o filme, sangue à vontade e expressões de dor. Realmente, James Mangold teve liberdade de colocar a violência explícita, inovar, deixar um filme de herói o mais adulto possível, algo que o público já pedia do nicho à muito tempo, principalmente relacionado aos filmes com personagens da MARVEL.


Outra proposta do filme foi mostrar personagens que consideramos imbatíveis em plena decadência. Você vê Charles Xavier, a mente mais poderosa do mundo com uma doença degenerativa grave. Logan se intoxicando a cada dia mais e seu poder claramente diminuindo, fazendo sofrer o filme todo. O próprio vilão brinca com isso para ressaltar esse enfraquecimento e envelhecimento da dupla.

Ah sim, o vilão. Ele agrada bastante, é um cara descolado, lembra muito o Loki no MCU. A participação do personagem é bem trabalhada, apesar de alguns críticos ressaltaram alguns probleminhas no roteiro na sua participação.



A estrutura de 3 atos é feita com muita qualidade. Cada um tem seu propósito. O espectador realmente entende o que aconteceu com o mundo, com os mutantes e os personagens principais da trama, não há a necessidade de assistir outro filme para compreender, deixando-o único. Isso deve ter agradado muito ao público comum de cinema, que só vai para sair de casa com os amigos, que com certeza não ficou sem saber o que acontecia no filme. Ele se explica sem precisar de exagero de diálogos expositivos.

A relação do nosso Wolverine com a Laura é desenvolvida com cuidado, para que chegasse no final e fazer o espectador sentir emoções fortes, durante os 3 atos você conhece a Laura, tudo o que fizeram com a menina e suas motivações.




O roteiro conseguiu desenvolver um filme que mostra a fuga de personagens para outro lugar, o drama de 2 mutantes em decadência, a relação de uma menina com o Logan, cenas de ação impecáveis, alguma ou outra cena bem humorada, explicação do que aconteceu com o mundo e muitos outros temas.

O filme desenvolve muito bem o roteiro sem se tornar chato e sem graça, e com certeza está entre os 5 melhores filmes de super-herói do século. Ele inova com as cenas de ação, faz os 3 atos com muita qualidade, explora bem os dramas dos personagens e está cheio de referências para o público que ama quadrinhos. Um filmaço, talvez o elo perdido entre os filmes blockbusters de super-herói e os filmes de arte que são agraciados pelo Oscar.

Hugh Jackman agora pode descansar seu personagem em paz.



Crítica: Logan (2017, de James Mangold) Crítica: Logan (2017, de James Mangold) Reviewed by Adao Filho on junho 06, 2018 Rating: 5

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