Crítica: GOL! - O Sonho Impossível (2005, de Danny Cannon)



Sabe aquele filme que mesmo com tantos defeitos, a gente coloca no nosso coração? Pois é, GOL! é um daqueles clássicos que não importa o excesso de propagandas da Adidas, técnicas fáceis de substituição de atores por dublês, sempre vamos acabar gostando de qualquer jeito.

Estamos em ano de Copa do Mundo, aquela época mágica onde vemos os melhores jogadores do mundo disputando a taça mais cobiçada do esporte. Para celebrar essa época especial para o fã do esporte, nada melhor de revisitar um clássico dos filmes de Futebol.

Entre os fãs do esporte, GOL! é um grande clássico, mesmo tendo quase 13 anos, ainda é bastante falando e bem quisto. Até a Globo tinha exibido numa semana especial da Sessão da Tarde na mesma semana do início dos Jogos Olímpicos de 2016.

Foi a primeira vez que eu tinha visto esse filme, no caso. Jamais me esqueci daquela tarde, e precisava escrever sobre ele. Chegou a oportunidade. 

Um roteiro batido, mas que funciona muito bem



Em GOL! - O Sonho Impossível, acompanhamos a jornada de Santiago Muñez, um Mexicano Ilegal que possui uma grande habilidade e surge a chance de se tornar um jogador profissional de Futebol. Só que a sua jornada não é tão fácil assim.

O filme é um drama com vários elementos estabelecidos pelos filmes do gênero. Não tem muita novidade aqui. O que me manteve preso durante o filme foi o ritmo. Não é demorado, mas também não é acelerado. Você entende toda a relação familiar e os problemas da vida cotidiana do personagem principal o suficiente para se importar com ele.

Santiago Muñez, assim como a maioria das crianças e adolescentes é uma pessoa que sonha em ser jogador de futebol, vindo de uma família pobre e que seu pai desestimula a seguir seu sonho. Somente isso, e é o suficiente.

Quantas pessoas do mundo que tiveram sonhos e que a família os impediu de segui-los devido às dificuldades da vida?

O protagonista, assim como qualquer outro personagem principal de drama esportivo, muda a sua vida e enfrenta seus problemas pessoais para seguir seu sonho. Ou seja, o esporte é o potencializador da sua força de vontade para mudar sua vida. 

Isso costuma funcionar nos filmes esportivos, não foi diferente nesse.


O Herói Santiago Muñez


Acompanhando a história, eu percebi que os roteiristas Dick Clement e Ian La Frenais montaram a trajetória de Santiago de uma maneira muito parecida com a Jornada do Herói. 

Para quem não conhece muito a respeito. A Jornada do Herói é uma forma de contar histórias muito antiga. Alguns estudiosos analisaram a mitologia antiga e as histórias mais recentes e notaram semelhanças incríveis entre elas.  

Da Mitologia Grega, passando pelo universo de Tolkien e até nos filmes de Super-Herói atuais, o escopo dos acontecimentos é parecido, cujo herói passa por diversos estágios até seu ápice.

Com o nosso herói Santiago Muñez não foi diferente, a sua história respeita cada etapa dessa fórmula. 

O excelente Viver de Blog criou um ótimo infográfico explanando toda a Jornada do Herói, essa forma de contar histórias que cativou (e ainda cativa) o mundo inteiro durante gerações.


Da sua vida comum e difícil como imigrante ilegal, passando pelo treinamento no Newcastle United até à titularidade no time principal, o roteiro respeita cada um desses estágios. 

Isso é uma diminuição para o roteiro? Claro que não, até porque Jogadores de Futebol são colocados por muitas pessoas como ídolos, heróis. Contar a história de um jogador de futebol como se fosse um herói foi uma decisão muito boa por sinal, combina bastante com o que eles representam para fãs do mundo todo.

Enquanto o roteiro acerta em muitos pontos, a direção peca em outros


Olha... A direção errou feio em alguns pontos. Principalmente pela previsibilidade da utilização das câmeras. Você percebe que Danny Cannon fica meio perdido para disfarçar que os personagens são atores.

Um excesso absurdo de tomadas aéreas durante as partidas, algumas sequências extremamente estranhas de jogadas, e sempre fazendo cortes secos e previsíveis quando se é utilizado dublês para substituir os atores.

Fica bem chato quando algum personagem importante vai fazer um chute e corta para as pernas dele chutando. É impressionante que isso é toda hora, não tinha nenhum truque melhor pra fazer rs.

A trilha sonora parece que não existe. Talvez nem tenha sido uma preocupação dos produtores, mas realmente ficou devendo. Em alguns momentos clímax, ficou faltando sim alguma trilha menos genérica e mais marcante. 

Estamos falando de um filme de drama, então uma trilha sonora marcante realmente é necessária, a não ser que seja uma obra-prima que não é preciso de música para realçar cenas dramáticas, como o fantástico Sangue Negro de Paul Thomas Anderson. 

GOL! Está longe de ser um grande drama, então para melhorar isso realmente se fazia necessário algo a mais. 

Conclusão


GOL! -  O Sonho Impossível é um filme quase obrigatório para o fã de futebol. Uma jornada do herói muito bem contada, que explora um dos maiores sonhos dos jovens: Ser um jogador de futebol. Mesmo que sua direção não seja um primor técnico ou que a história não seja tão original, é uma obra cativante, se você ama futebol, vai gostar muito. 


Crítica: GOL! - O Sonho Impossível (2005, de Danny Cannon) Crítica: GOL! - O Sonho Impossível (2005, de Danny Cannon) Reviewed by Adao Filho on junho 09, 2018 Rating: 5

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