Crítica: Drake - Scorpion (2018)


Drake tem sido muito produtivo nos últimos anos, é muito conteúdo.

Há 2 anos, lançava o Views, o álbum que realmente o despontou para a mainstream, com sucessos que bilionaram no Spotify e Youtube (One Dance e Hotline Bling).

Ano passado a playlist More Life, 20 músicas inéditas que ele não considera álbum. Mas mesmo assim gerou uma boa recepção entre o público, Passionfruit, Portland e Gyalchester sendo hits imediatos, mesmo não tendo a explosão de um Views.

Do More Life até o lançamento do Scorpion houve participação especial do Drake em alguns singles, outros lançados e sempre entre os mais ouvidos do Spotify.

Drake é sem dúvida o maior artista do momento, seu top 1 no ranking do Spotify não é por acaso. Você pode ou não gostar dele, mas que está no topo da mídia musical é indubitável.

Por esses motivos, Scorpion foi extremamente hypado ao longo das semanas. Será que valeu a pena?

Scorpion - Um álbum grande




Assim como outros, Drake peca pelo excesso de faixas, mesmo que algumas sejam excelentes e outras até antológicas (direi mais a frente). Ao que parece que a duração não é nenhum problema para o Rapper.

Na Playlist More Life foram cerca de 20 faixas que não via o tempo passar. Agora, com 25 faixas, Scorpion se mostra bem gorduroso. Não tem música boa que dê jeito nisso.

Dava para facilmente ter cortado umas 7 músicas numa boa. Focar apenas nas melhores. Mas fazer o quê. É um erro muito comum, praticado por artistas de vários gêneros.

Scorpion também é grande, por representar a obra feita pelo artista mais ouvido do Spotify. Sem dúvida será o álbum mais ouvido do ano, o que será mais repercutido.

Esse é o bônus da popularidade, o ônus é que o público se torna cada vez mais exigente, o mesmo artista que entregou as músicas mais ouvidas do ano de 2015 e 2016.

Para os fãs mais exigentes com Scorpion…



Scorpion é um prato cheio de rap de alta qualidade… e R&B de alta qualidade. Confirmando os boatos, o disco foi dividido em um Side A com Rap e um Side B com R&B. Uma boa ideia, que ajudou a tentar não saturar um disco de 25 faixas.

Durante o Side A ele nos apresenta uma faixa inicial interessante, mas nada de especial. Só que o maior trunfo do disco inteiro é a segunda musica: Nonstop.

Se essa música não virar hit, eu desisto. Uma batida empolgante, rap empolgante e ritmo mais ainda. Drake pareceu estar inspiradíssimo, e acertou em cheio em colocá-la entre as primeiras faixas.

Eu já ouvi muita coisa dele desde o início da carreira, de um rap mais tradicional até a mistura com o Pop e o R&B, e afirmo que nunca tinha ouvido algo parecido. Talvez a coisa que tenha maior semelhança é The Motto, do Take Care, mas nem é tanta.

Que faixa meus amigos, que faixa.

Logo após esse potencial sucesso, temos algumas músicas de letras bem pesadas acerca do passado do Artista, e muita coisa que envolveu a ultima grande polêmica: A acusação de Pusha T acerca do filho que Drake escondeu.

Na faixa Emotionless, inclusive, há o trecho: “I wasn't hidin' my kid from the world I was hidin' the world from my kid” .

Até o fim do Side A, apenas há os 2 singles God’s Plan e I’m Upset, que já foi debatido à exaustão na internet e algumas músicas sem nada muito a destacar, exceto Talk Up com Jay Z, uma bela surpresa, ótima batida e rap de qualidade.

Chegamos ao fim do Side A com 1 track apoteótica, 3 ótimas faixas com muito potencial, 2 singles e o resto apenas para cumprir tabela.

Side B: A parte mais arriscada do disco


Se para muitos, Drake jogou seguro no Side A, com uma receita que costuma dar muito certo. O Side B é a parte mais arriscada possível, quase inteiro de R&B.

Será que essa “ousadia” deu certo?

Acredito realmente que deu certo, o Side B está repleto de músicas muito agradáveis. Destaque absoluto para Finesse.

Música simples, agradável e com uma boa letra. Drake se mostrando como um bom artista R&B. Outras músicas que comprovam isso é In My Feelings, Dont Matter to Me e Final Fantasy.

Não há muito o que dizer, somente que ele manda bem nesse ritmo. Pode não ser o melhor, mas prova ser ao menos versátil.

Eu diria que o Side B tem um saldo mais positivo que o Side A, mas o Side A possui algumas faixas individuais mais superiores.

March 14 é fim nessa ótima jornada entre faixas de Rap e R&B, colocando um ponto final na polêmica envolvida com seu filho. Uma letra impactante, desabafo pessoal de Drake para o mundo e para seu filho, vale muito a pena prestar atenção nessa letra.

Conclusão


Sim, Drake provou mais uma vez que é o maior artista da atualidade. Algumas faixas poderosas e outras extremamente bem agradáveis estão no seu mais novo álbum, entretanto, peca pelo excesso de músicas. Há muita coisa boa aqui e muita coisa dispensável.

Agora deixa eu repetir Nonstop até enjoar.



ESCUTE O ALBUM:


Crítica: Drake - Scorpion (2018) Crítica: Drake - Scorpion (2018) Reviewed by Adao Filho on junho 29, 2018 Rating: 5

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