Mundo Elemental - O Escolhido: Quando o maior expoente da obra é a própria leitura

Ta aí um livro que aguardei muito tempo para ter em mãos... E muito tempo para escrever a Review.

Para você ter uma ideia, eu conheci esse projeto na saudosa comunidade "Eu quero escrever um Livro" no Orkut (bons tempos). Se era 2012 ou 2013 nem lembro mais rs. (mas provavelmente 2012).

A autora do livro, Débora Santana, se tornou minha amiga nessa época. Eu realmente acreditava no projeto, eu via um dos meus sonhos (escrever um livro sobre fantasia) sendo concluída em Mundo Elemental.

Depois de alguns anos, várias editoras , vários Nãos... A Editora Arwen (como eu amo esse nome) aceitou e acreditou no Livro.  E em 2016, lançou.

Durante esse hiato , entre a conclusão da obra até o lançamento, houve até o site em que trabalhamos juntos. Putz que saudades do bom e velho Combo Mental, excelente site de notícias e críticas.

Eu só pude ter acesso ao livro em Julho de 2017, quando eu recebi da maneira mais deliciosa possível: Autografado. Ou melhor, recebi nada, eu tive que ir lá no depósito dos Correios buscar (aliás, privatizem esse negócio pra ontem, mas isso é outra história).

Nem sei o por quê de ter escrito essa crítica só agora, talvez seja pelo fato da inspiração realmente ter chegado. Mas não era por menos, o Filme que avaliei no ultimo post me deixou bem mais sentimental e inspirado (ahahahaha).

Agora, sobre o Livro propriamente dito. É muito, mas muito interessante como você percebe todo o amadurecimento da autora há cada página.

Mas algo que se mantêm uniforme durante todo o enredo é a leitura prazerosa. Do prólogo ao epílogo, a experiência é viciante. O desejo de seguir até à próxima página só aumenta.

Palavras fáceis, narração dinâmica, descrição na medida certa... A autora dá uma aula à alguns escritores renomados como deixar um livro realmente atrativo, agradando jovens e adultos.

Realmente a narração foi a maior qualidade de Mundo Elemental. Não é acelerada, mas não é arrastada. Há um equilíbrio para as coisas acontecerem naturalmente.

Durante as páginas há diversas referências há séries, filmes muito famosas do gênero fantástico. Dá pra lembrar até de Zelda na descrição do mundo.  É uma reverência bem interessante às obras mais importantes dessa literatura tão rica.

A história conta uma Jornada do Herói como conhecemos muito bem. Harry Potter, Bilbo Bolseiro, Frodo... Você enxerga as fases da jornada sendo bem executadas, como uma legítima história de fantasia.

Não nada para reclamar sobre os personagens principais, exceto pela inexplicável motivação do protagonista. Assim como os personagens citados são motivados pelas suas jornadas com uma "profissionalidade" que as vezes soa como egoísmo ou senso de heroísmo.

Outra coincidência com Senhor dos Anéis e Harry Potter é que o parceiro principal do protagonista se mostra o personagem mais sensato. Assim como Ronnie Weasley, Sam... O melhor amigo do herói é a voz da razão durante o enredo do protagonista.

O resto do grupo que segue com o protagonista Peter se une ao mesmo com motivações um tanto rasas, em preto e branco, mas isso é altamente perdoável, visto que é um pequeno problema para escritores iniciantes.

Alguns problemas de roteiro são totalmente corrigidos conforme a trama seguia. A utilização de um personagem em específico é foi uma sacada muito boa para corrigir alguns furos. E um por um eles são totalmente (ou quase totalmente) curados.

As motivações que eram rasas da maioria dos personagens, se tornam cada vez melhores conforme a história decorre.  

Ah claro, há vários momentos de alívio cômico. Assim como essa geração de filmes blockbusters, o livro também possui seus momentos engraçados, que nos fazem apegar aos personagens principais, para fazer dar importância aos protagonistas.

Uma pena que o vilão, que até tem uma trabalhada do meio para o final, não foi tão desenvolvido quanto os personagens principais. Eu vi um grande potencial na sua existência, e certamente há um espaço para ser um elemento-chave para a trama numa futura continuação.

Acho que a coisa que mais amei no roteiro foi os flashbacks absolutamente necessários. Débora capricha de uma maneira quase genial em algumas histórias paralelas envolvendo romances, tragédias e dramas muito bem contados.

Algumas dessas histórias poderiam ser muito bem aproveitadas em obras próprias, fica aí a sugestão haha.

A que cabe mais destaque é uma história romântica em flashback na reta final da história. Aquilo foi espetacular, agregou muito ao conto e realmente me emocionou de tão bem executada.

Um truque de mestre que foi utilizado foi que durante a história, parece que você está lendo um livro de fantasia genérico. Mas propositalmente a escritora percebe isso também, e coloca uma explicação espetacular para justificar essa sensação. Um recurso que foi usado no roteiro e eu aplaudi demais isso.

Os momentos finais do conto são os maiores trunfos de toda a trama. Um combate que enche os olhos, escrita com uma qualidade absurda, com uma naturalidade incrível. Foi algo que me animou bastante, como jogador de RPG, eu me senti como se estivesse numa mesa com meus amigos e ouvindo o narrador proferir a grandiosa batalha final.

Mundo Elemental monta um roteiro redondo, sem se arriscar tanto. Bebe de várias fontes durante toda a trama. Durante cada página você percebe o amadurecimento de uma talentosa escritora, que seria uma ótima mestra de RPG. O enredo possui alguns pequenos probleminhas e clichês que não impedem de ser tão apaixonante quanto ele é. A narração é impecável, não há exageros e nem vícios, é o zênite, a apoteose de Mundo Elemental.

Vale muito a pena você ler. É uma experiência muito boa. E que venha o segundo livro.
Mundo Elemental - O Escolhido: Quando o maior expoente da obra é a própria leitura Mundo Elemental - O Escolhido: Quando o maior expoente da obra é a
própria leitura Reviewed by Adao Filho on outubro 10, 2017 Rating: 5

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